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Terça ,
22 de
Julho 2008 ,
10:59 |
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O samba e a simpatia de Mart'nalia |
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Mart'nália fará sua primeira apresentação |
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Mart’nália samba, desde que nasceu. Acompanhava o pai Martinho da Vila às rodas de Vila Isabel ainda muito pequena e foi assim que se apaixonou pela música. Foi ali que aprendeu a sambar, cantar, tocar violão e pandeiro.
“Com quatro anos de idade, em Pilares, meu pai tocava um tan tan amarelo numa roda de samba com amigos. Lembro dele saindo pela porta e, como num passe de mágica, entrando na televisão. Achava isso o máximo. Minha casa era uma festa. Cresci com Clara Nunes e, João Donato na minha sala” conta Mart’nalia.
Entre as décadas de 80 e 90, chegou a gravar dois discos “de brincadeira”, como ela mesma gosta de dizer. Mart´nália (1985) saiu pela gravadora 3M e tinha direção musical de Ruy Quaresma. Somente dez anos depois chegaria às lojas seu segundo disco, Minha Cara (gravadora ZFM), sob os cuidados musicais de Ivan Machado. Em 2002, lançou seu terceiro álbum, Pé do meu Samba (Natasha Records), que ela considera seu primeiro “de verdade”. Foi produzido por Celso Fonseca e dirigido por Caetano Veloso, foi unanimemente elogiado pela crítica e rendeu uma longa e produtiva temporada de shows, registrada em CD e DVD. Mart´nália ao Vivo (2004, Natasha Records) teve produção musical da própria cantora e direção, roteiro e concepção de Márcia Alvarez. O show foi gravado no Olimpo/ Rio de Janeiro e teve as participações especiais de Caetano Veloso, Celso Fonseca, Djavan, Martinho da Vila, Moska e Zélia Duncan.
Seu mais recente CD, Menino do Rio, foi lançado em 2006, pelo selo Quitanda, de Maria Bethânia, que assinou a direção artística e emprestou a voz e seu maestro Jaime Além para a direção musical. De Caetano Veloso a Celso Fonseca, passando por Ana Carolina e Arlindo Cruz, o novo trabalho também é considerado o mais diversificado de todos. Ainda em 2006, ela é chamada para a “Copa das Culturas”, em Berlim. Lá, foi convidada por Chico Buarque para fazer um especial de duas músicas com ele: “Sem Compromisso” e “Deixa a Menina”. Tudo isso ficou registrado no DVD/CD Mart’nália em Berlim Ao Vivo, gravado por Roberto de Oliveira com direção, roteiro e concepção geral de Márcia Alvarez.
No ano passado, a cantora foi presenteada com a inserção da música “Cabide” (Ana Carolina) na novela Paraíso Tropical, da Rede Globo. Fez shows em Angola e participou do CD e DVD da Alcione, além da percussão e vocal de suas canções gravadas por Emílio Santiago. Mart’nália em Berlim Ao Vivo foi indicado ao Grammy Latino, como melhor DVD do Ano.
Em abril de 2004, Mart’nália veio aos Estados Unidos convidada por Caetano Veloso para fazer uma apresentação no famoso Carnegie Hall, em New York, e também para apresentar um workshop sobre samba para os alunos da New York University no mesmo teatro. Agora, em 2008, ela volta aos Estados Unidos para sua verdadeira estréia com a sua banda completa para tocar no Lincoln Center em New York e o Culture Room em Ft. Lauderdale. Aliás, Mart’nália vai ser a primeira artista brasileira a tocar nessa casa de shows tradicional da região. Um reduto do rock e blues, o Culture Room, agora, vai cair no samba.
Mart’nália conversou com a jornalista Isadora Dutra para o Gazeta Brazilian News e falou sobre seu DVD filmado na Alemanha, trabalhar com Caetano e Bethânia e muito mais.
Gazeta: O seu último disco traz uma seleção de seu repertório anterior e foi registrado em show na Copa das Culturas, na Alemanha. Como foi a experiência de cantar samba na Alemanha?
Mart’nália: Boa. Achei muito bacana essa oportunidade com uma platéia tão diversificada.
Gazeta: A parceria com Maria Bethânia rendeu toda a direção artística envolvida na produção do disco Menino do Rio, lançado pelo selo Quitanda da cantora baiana. Como aconteceu esse encontro criativo e como se dá o trabalho nessa parceria?
Mart’nália: Bethânia; sempre fui fã de acompanhar todos os seus shows, seguida-mente, e depois, nos camarins eu sempre sou a última a sair. Então aconteceu que, depois de ter lançado um DVD ao vivo do Pé do meu Samba, produzido pela Márcia Alvarez, rolou uma vontade de caminhar mais. Resolvi partir para um disco de estúdio. Conversando com a Márcia, resolvemos procurar Bethânia pra pedir uma opinião já que meu padrinho é o Caetano Veloso. Marcamos uma tarde em sua casa regada a lagostinha e cerveja gelada, papo vai, papo vem, acabei pedindo pra ela me dirigir. Ela já conhecia minha voz. Eu é que não.
Gazeta: E o trabalho de direção de Caetano Veloso para Pé do meu samba de 2002 como foi?
Mart’nália: Foi um colo mais do que bom!!! Sou a única “sambista” carioca apadrinhada musicalmente por um baiano.
Gazeta: O que mais, além da voz ma-landra, você herdou de seu pai, Martinho da Vila?
Mart’nália: A calma.
Gazeta: Seu pai, “coruja” como ele mesmo assina em texto publicado no seu site, diz que você é uma das artistas mais completas que ele conhece. De fato, você é cantora, compositora e também toca vários instrumentos de percussão, além do violão. Tendo crescido no ambiente musical da Vila Isabel, como despertou seu interesse profissional pela música e como se deu sua formação musical?
Mart’nalia: Minha formação musical foi mais ouvindo, vendo e estando em contato direto com artistas de todos os setores. Quando era pequena só queria saber de Motown. Também sempre gostei de ver shows e ouvia muito rádio, que tocava de Elizeth Cardoso a Secos e Molhados. Estudei piano clássico, mas não lembro de nada... estudei violão até com Almir Chediak, mas só lembro da parte da bossa-nova. Minha mãe, Anália, também era cantora e o resto tudo bateria de escola de samba bailes do subúrbio e nos pagodes da vida.
Gazeta: Você costuma fazer duetos nos seus shows com cantores como Luiz Melodia, Zélia Duncan, Lenine, Paulinho Moska, entre outros. É mais fácil cantar com os amigos?
Mart’nália: Com amigos tudo é mais fácil. Se é fácil cantar imagina com os amigos!
Gazeta: Em show na Mangueira, em 2003, você cantou com Chico Buarque. Como foi essa experiência?
Mart’nália: Foi muito divertido. O Chico é um cara maneiro, generoso e engraçado. Mais um amigo bom de cantar junto.
Gazeta: Com Martinho da Vila você cantou em alguns países de língua portuguesa como Portugal e Angola. Você disse em entrevista que gosta das misturas. A mistura cultural faz parte de seu processo criativo? Quando você viaja aproveita novos elementos musicais para compor?
Mart’nália: Às vezes... Pra compor eu preciso mesmo é de inspiracão. Por exemplo, quando fui pra Ilê de La Reunion, voltei com a melodia de uma canção em creóle na cabeça, “Rest la Maloya”. Como estava sem tempo, passei tudo que eu senti naquela ilha pro Moska, aí sentamos e terminamos a versão. Compor em parceria é ótimo.
Gazeta: Que músicas você costuma ouvir?
Mart’nália: Nana Caymmi, Aretha Franklin, música instrumental, Toninho Horta, música clássica, Stevie Wonder, Djavan...
Gazeta: Seu disco “Menino do Rio” é bastante diversificado nos ritmos e estilos que apresenta através das parcerias com Totonho Villeroy, Leoni e Guilherme Arantes, por exemplo. O samba se relaciona bem com todos os outros ritmos?
Mart’nália: Samba é tudo! E combina com tudo: samba funk, samba de roda, samba enredo, bossa-nova, samba cancão, samba hip hop, samba de terreiro, samba de breque, samba charme, e o samba rock, meu irmão!
Mart’nalia está sendo apresentado pela Rhythm Foundation, uma fundação cultural sem fins lucrativos comemorando 20 anos de apresentações com os melhores artistas do mundo como Paco de Lucia, Ravi Shankar, Caetano Veloso, Marisa Monte, Bebo Valdes e muitos mais. Desde 1988, a fundação se tornou o mais importante produtor cultural na área de “World Music” através de projetos e eventos com artistas do Brasil, América Latina, Caribe, África, Ásia, e Europa – cerca de 20 shows e festivais para um público fiel de mais de 25.000 espectadores por ano. |
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