| Aos
pés do Cristo Redentor, no
Rio de Janeiro, o presidente da República
Federativa do Brasil, disse: “quem
viaja muito o mundo às vezes
volta decepcionado com a imagem que
se cria do Brasil lá fora.
Aliás, eu acho que o Brasil
é um país sui generis...o
único país em que os
brasileiros falam mal do Brasil lá
fora...você não vê
um suíço falar mal da
Suíça, você não
vê um italiano falar mal da
Itália, mas os brasileiros
adoram falar mal...”.
Em Brasília, ao lado da ministra
do turismo, Marta Suplicy, o presidente
disse que a nossa imprensa só
publica coisa ruim.
Durante quarenta anos de minha vida
eu não fiz outra coisa senão
promover e divulgar o meu país.
Defender e zelar por sua imagem, como
povo e como nação. O
título do livro que está
demorando a sair será mais
ou menos assim: Funcionário
do Brasil sem nunca ter recebido um
centavo do governo. De nenhum governo.
E nesses anos todos, em Moscou, em
Paris, em Estocolmo, em Havana, em
Roma e em Nova York eu nunca vi, ouvi
ou li que Carmen Miranda tenha falado
mal do Brasil. Que Heitor Villalobos,
Bidú Sayão, Laurindo
Almeida, Eumir Deodato, João
Gilberto, Ary Barroso, Dorival Caymmy,
Airto Moreira, Baden Powell, Freire
e Martins e Arthur Moreira Lima e
Bebel Gilberto e Sergio Mendes e Sonia
Braga e Florinda Bulcão e Iza
Chateubriand e Emerson Fitippaldi
e Giselle Bundchen tenham, no exterior,
difamado ou falado mal do nosso país.
Também nunca ouvi dizer que
o meu conterrâneo o embaixador
Roberto Campos, ou o chanceler Oswaldo
Aranha, ou Henrique Rodrigues Valle
ou Sergio Correa da Costa, tenham,
lá fora, falado mal do Brasil.
Nunca ouvi Vavá, Garrincha,
Belini, Pelé, Raí, Ronaldo,
Ronaldinho, Toninho Cerezo, Falcão-o
Rei de Roma-ou o Príncipe da
Itália-Cacá, Dunga,
Junior, Romário, falarem mal
do Brasil.
Temos centenas de mestres, cientistas,
técnicos, empresários,
artistas, estilistas, profissionais
liberais, pelo mundo todo, e nunca
li uma declaração de
algum deles falando mal do Brasil
durante o governo que o presidente
Luis Inácio nos prometeu: limpo,
transparente, honesto e de mudanças
estruturais.
Combati a ditadura, sem combater o
meu país. Fui criticado por
hastear uma bandeira brasileira e
por fazer o hino nacional ser cantado,
pela primeira vez, no centro de Nova
York, na abertura do primeiro Dia
do Brasil, em 1985, dedicado a Tancredo
Neves.
Os governos passam. Hino, Bandeira,
Brasão, a Seleção
Canarinho, não pertencem a
militares, partidos, presidentes.
São do brasileiro que tem sabido
sim, no exterior, separar o joio do
trigo e o qual, anônimo, ou
não, é quem tem segurado
o rojão da multiplicação
dos escândalos nacionais e promovido
o país, sem nenhum reconhecimento
oficial ou oficioso.
Quando um turista italiano depois
de 9/10 horas dentro de um avião
ainda tem que esperar horas e horas
para um vôo de conexão
a seu destino turístico, ele,
com certeza, não vai falar
mal da Itália.
Quando um empresário suíço
perde audiências, reuniões
e negócios, por causa do contínuo
caos nos nossos aeroportos, ele, com
certeza, vai se lembrar muito bem
e com saudade de sua Suíça
pequena, sem saída para o mar,
com apenas 7.4 milhões de habitantes,
três línguas oficiais,
e uma renda per capita de US$ 43.000.00.
Nunca escrevi ou publiquei noticias
contra o Brasil, publiquei e divulguei
noticias vindas do Brasil. Os jornais
de brasileiros, suas revistas, programas
de Rádios e Tvs, Páginas,
nos Estados Unidos, na Europa, no
Japão, pelo mundo afora, não
falam mal do Brasil. Dão as
noticias sobre o governo, o Congresso
e os dirigentes do Brasil.
O presidente da República
Federativa do Brasil ofendeu milhões
de brasileiros que hasteiam a bandeira
e cantam o nosso hino, em terras distantes.
Era melhor ter repetido: ame-o ou
deixe-o aos brasileiros que mandam
para o nosso país mais de U$
1,5 bilhão de dólares,
por ano. Dinheiro que, felizmente,
não fica na bolsa do governo.
Vai direto para as cidades, investimentos
e familiares dos remetentes.
Quando o brasileiro está no
exterior ele sofre, se envergonha,
se decepciona e chora com as noticias
ruins e com os escândalos oficiais
e diários. Vira chacota e alvo
de gozação. Senta e
relaxa, como ensina a ministra do
Turismo, mas não fala mal do
Brasil.
Tampouco é o brasileiro que
viaja para fora quem anda produzindo
ou inventando a “imagem que
se cria do Brasil lá fora”
e as “noticias ruins”
que a imprensa mundial divulga.
Se, o presidente tivesse vivido (não
visitado) um só dia, lá
fora, enfrentado frio e discriminação,
escorraçado por embaixadas
e consulados, mal compreendido e até
mal visto no seu próprio país
por ter ido tentar melhorar a vida
lá fora, ele sentiria na carne
e na alma o quanto o brasileiro, mesmo
com os governantes e os parlamentares
que tem, defende, promove, divulga
e ama o seu país.
E, descobriria também que
a gente sai do Brasil, mas o Brasil
não sai da gente.
Jota Alves
criou o Dia do Brasil nos Estados
Unidos.
Ex-Secretário de Governo em
Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br
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