Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Descobrindo o centro de São Paulo Coluna 02 
 

Posso afirmar que conheço bem o centro de Nova York. Afinal, foram vinte e cinco anos caminhando e descobrindo, a cada dia, uma rua, uma novidade e um segredo da mais famosa cidade do mundo.

A minha caminhada matinal: da Park Avenue e Rua 65 até a Rua 46 (The Little Brazil) com a Quinta Avenida. Às vezes, ia pela Park, às vezes, descia a Madison Avenue, mas o meu trajeto predileto e definitivo era pela Quinta Avenida, tropeçando em famosos, astros e estrelas.

Caminhava até a 61, passava pelo Copacabana Night Club, chegava às calçadas do Pierre hotel, atravessava, pegava um pedacinho do inicio do Central Park. Do lado direito o famoso Plaza hotel, do esquerdo, a mais badalada loja de brinquedos do mundo.

Aos domingos e feriados eu descobria Manhattan: uptown, dowtown, midtown, west e east side, a pé. A cidade é uma festa a céu aberto. Feiras, festivais, exposições, caminhadas coletivas, shows e desde 1985, o Dia do Brasil, o maior festival brasileiro no mundo, no centro da cidade.

Também posso dizer que conheço bem o centro de Moscou, a capital da então poderosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Entrando e saindo do metrô-o mais bonito, o mais limpo e o mais seguro do mundo - eu conheci a velha e a nova Moscou. Saia da universidade Patrice Lumumba bem cedinho e só voltava de madrugada.

Não posso dizer o mesmo sobre Roma e Paris. Mas, caminhei muito pelas ruelas, tumbas, escavações e monumentos da Roma antiga. Fiz amigos em cantinas, muitos dos quais com familiares em São Paulo.

Fucei pela St. Honoré, Bastille, Montmartre, Quartier Latin. Descobri bistrôs incríveis. Namorei nas barcaças do rio Sena. Almocei no Maxim`s. Fui ao Moulin Rouge. Vi Paris da torre Eiffel e fui ao Picadilly para conferir o que a francesa tem.

Ainda vou rever a Lisboa antiga e a Havana vieja. Por enquanto, contento-me em descobrir o centro de São Paulo, a capital dos negócios, das artes e do entretenimento do nosso país e da América do Sul.

Líder estudantil caipira de Mato Grosso, antes de deixar o Brasil, só estive em São Paulo uma vez. Foi como membro de uma delegação do Congresso da UBES, na sede da UNE, no Rio, para conhecer a refinaria de Cubatão, orgulho da nossa campanha: O Petróleo é Nosso.

Era uma madrugada de julho. Fazia um frio danado. Guardo as lembranças das camionetas do jornal A Gazeta Esportiva com a edição cheia de fotos de Luizão, nosso campeão de boxe e da “televisão de cachorro” (frango sendo assado, no espeto elétrico, na vitrine, para atrair fregueses). A primeira vez que via aquilo.

E foi naquela manhã de muita garoa paulistana quando devorei o meu primeiro galeto al primo canto, no Largo do Arouche, ao lado do Pingão e de muitas flores.

Trinta anos depois voltei a São Paulo na condição de Secretário de Governo de meu estado natal para organizar e promover o Mato Grosso Convida. Durante uma semana o governador “vendeu” o seu peixe para industriais e empresários.

Há que sair do hotel, do apartamento, para se conhecer as belezas e as maravilhas do centro de São Paulo. Com o trânsito do jeito que está, as calçadas entulhadas de camelôs e pedintes, é óbvio que domingos e feriados são os dias ideais para a grande descoberta ou “re-descoberta”.

A São Paulo européia “descansando” é simplesmente majestosa. A gente sente força, coragem e pujança. Apesar de restar pouco da São Paulo Colônia, há muito da do Império e uma presença maciça da São Paulo Republicana, empreendedora.

Temos que apoiar, com ações concretas, esse trabalho de valorização, de recuperação e de re-construção do centro da cidade de São Paulo.
Andréa Matarazzo da prefeitura e Alexandre Thiollier do Centro Novo são homens que estão fazendo a diferença.

Como foram nova-iorquinos de coragem, audácia e visão, com o apoio do prefeito Edward Koch, que salvaram o East Village e recuperaram o Soho fazendo-os points de artistas, músicos, modelos, jovens empresários, ricos internacionais, turistas, galerias, lojas e restaurantes de excelente qualidade. Eu estava lá quando tudo começou, na Prince street.

À noite ninguém se aventurava passar pelas ruas escuras do Soho com seus depósitos, galpões e prédios seculares. Uma rachichelândia.
O sonho verde e amarelo e a leitura errada da situação no Brasil me deram prejuízos irrecuperáveis. Deixei de comprar lofts com pé-de-meia de até 10 metros de altura por U$ 20 mil dólares. Hoje, vendidos por mais de um milhão.


A gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente. Após conhecer cidades importantes sinto umas sensações diferentes, boas e salutares ao descobrir, no meu país, o centro de sua locomotiva.

 

Jota Alves criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos.
Ex-Secretário de Governo em Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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