| A data
nacional dos Estados Unidos está
sendo celebrada em Governador Valadares,
Minas Gerais. È uma promoção
conjunta da Câmara Municipal
de Vereadores, da Prefeitura e da
Associação dos Pais
de Migrantes. A data passará
a ser também o Dia do Migrante.
Os laços históricos
de Governador Valadares com os Estados
Unidos são conhecidos. Quando
eu cheguei em Nova York, valadarenses
já ocupavam espaços
importantes na comunidade brasileira.
Foram meus primeiros orientadores
e amigos na grande cidade. Ajudaram-me
a “construir e manter”
uma rua brasileira e a criar grandes
eventos, entre os quais o Dia do Brasil:
o maior festival brasileiro no mundo,
atualmente, dirigido por João
de Matos, Chico de Matos, Edilberto
Mendes e equipe.
Durante as celebrações,
a Câmara Municipal outorgará
ao jornalista Ronaldo Lima, do Brazilian
Voice, New Jersey, e primeiro presidente
da recém criada Associação
Brasileira de Imprensa Internacional
o título de Cidadão
Valadarense.
Fui convidado para participar dos
eventos, fazer palestras, dar entrevistas
e trocar idéias das boas experiências
nos Estados Unidos. Procedimento médico-hospitalar
já marcado para o dia três
de julho impossibilita, agora, um
re-encontro com a cidade de muito
calor humano. Governador Valadares
e a minha querida Cuiabá são
as cidades mais quentes e calorentas
do Brasil.
Vem em muito boa hora essa brazilian-american
celebration em GV, pois precisamos
estreitar os laços com o povo
norte-americano, lembrando sempre
que os governos, os erros e delírios
de governantes passam, mas os povos
devem continuar os seus relacionamentos
históricos e culturais.
O governo brasileiro tem adotado
uma política de enfrentamento
e de certa hostilidade nas várias
negociações que tem
que levar adiante com os Estados Unidos.
Essa postura não contribui
para novos investimentos em nosso
país, nos coloca a reboque
de países chamados de emergentes
ou em desenvolvimento, nos faz entrar
em brigas comerciais e em aventuras
ideológicas.
Países com seus interesses
específicos e o Brasil meio
perdido com um discurso que chamou
atenção bem no inicio
do atual governo, mas que foi se diluindo
na própria ilusão, mania
de grandeza e na conhecida e velha
demagogia populista.
A Assembléia Geral das Nações
Unidas discutiu em dezembro de 1990
a criação de um dia
internacional para o migrante. Eu
e dezenas de líderes nacionais
nos Estados Unidos comparecemos àquela
sessão e acompanhamos o desenrolar
dos acontecimentos. Finalmente, no
dia primeiro de julho de 2003 foi
oficializado o dia 18 de dezembro
como o Dia Internacional de Solidariedade
com os Migrantes.
Discute-se em fóruns internacionais
o Estatuto do Migrante. O Brasil participa,
mas sem muito empenho já que
há entre nós uma cultura
que menospreza, faz chacotas e vê
com olhos de desdém o brasileiro
que vai lá fora tentar uma
vida melhor.
As novas leis de imigração
a serem aprovadas pelo atual governo
dos Estados Unidos vão dificultar
e muito a entrada de brasileiros e
infernizar a vida de muitos que já
estão no país. Não
são medidas “contra”
o brasileiro. São novas leis
de imigração.
A criação e a atuação
de entidades como a Associação
de Pais de Migrantes, criada em Governador
Valadares, são de fundamental
importância.
Doravante o brasileiro que emigra
para os Estados Unidos ficará
prensado entre as novas leis de imigração
e a falta de uma política do
nosso governo para o emigrante brasileiro.
Política que inclua programas
de benefícios sociais, aposentadoria
e o direito do emigrante eleger e
enviar seus representantes ao congresso
nacional.
O Brasil, de país importador
de imigrantes passou a ser um exportador
de emigrantes. Fala-se em 4 milhões
de brasileiros no exterior. O governo
não sabe ao certo. Mas, sabe
e se beneficia dos quatro bilhões
de dólares, que são
injetados, anualmente, em nosso país,
graças ao trabalho, às
privações e à
luta de nossa gente no exterior. O
valadarense lidera em envio de reme$$as.
Legal ou ilegal (para as leis americanas)
o brasileiro tem que receber apoio
total e irrestrito do governo do seu
país, sem delongas, sem chá-de-cadeira,
sem desculpas esfarrapadas.
Vislumbro um novo movimento migratório
de brasileiros, desta vez, em direção
à Europa, continente já
sobrecarregado de migrantes do leste
europeu, do Oriente Médio e
da África e vejo a celebração
do Fourth of July em GV como uma contribuição
ao melhoramento e ao estreitamento
das nossas relações
com um povo amigo e com o qual aprendemos
muito.
O Brazilian e o American Day devem
ser celebrados, como datas-irmã.
Parabéns aos brazilian-american-valadarenses.
Jota Alves
criou o Dia do Brasil nos Estados
Unidos.
Ex-Secretário de Governo em
Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br
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