Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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The Fourth of July em Governador Valadares Coluna 03 
 

A data nacional dos Estados Unidos está sendo celebrada em Governador Valadares, Minas Gerais. È uma promoção conjunta da Câmara Municipal de Vereadores, da Prefeitura e da Associação dos Pais de Migrantes. A data passará a ser também o Dia do Migrante.

Os laços históricos de Governador Valadares com os Estados Unidos são conhecidos. Quando eu cheguei em Nova York, valadarenses já ocupavam espaços importantes na comunidade brasileira. Foram meus primeiros orientadores e amigos na grande cidade. Ajudaram-me a “construir e manter” uma rua brasileira e a criar grandes eventos, entre os quais o Dia do Brasil: o maior festival brasileiro no mundo, atualmente, dirigido por João de Matos, Chico de Matos, Edilberto Mendes e equipe.

Durante as celebrações, a Câmara Municipal outorgará ao jornalista Ronaldo Lima, do Brazilian Voice, New Jersey, e primeiro presidente da recém criada Associação Brasileira de Imprensa Internacional o título de Cidadão Valadarense.

Fui convidado para participar dos eventos, fazer palestras, dar entrevistas e trocar idéias das boas experiências nos Estados Unidos. Procedimento médico-hospitalar já marcado para o dia três de julho impossibilita, agora, um re-encontro com a cidade de muito calor humano. Governador Valadares e a minha querida Cuiabá são as cidades mais quentes e calorentas do Brasil.

Vem em muito boa hora essa brazilian-american celebration em GV, pois precisamos estreitar os laços com o povo norte-americano, lembrando sempre que os governos, os erros e delírios de governantes passam, mas os povos devem continuar os seus relacionamentos históricos e culturais.

O governo brasileiro tem adotado uma política de enfrentamento e de certa hostilidade nas várias negociações que tem que levar adiante com os Estados Unidos. Essa postura não contribui para novos investimentos em nosso país, nos coloca a reboque de países chamados de emergentes ou em desenvolvimento, nos faz entrar em brigas comerciais e em aventuras ideológicas.

Países com seus interesses específicos e o Brasil meio perdido com um discurso que chamou atenção bem no inicio do atual governo, mas que foi se diluindo na própria ilusão, mania de grandeza e na conhecida e velha demagogia populista.

A Assembléia Geral das Nações Unidas discutiu em dezembro de 1990 a criação de um dia internacional para o migrante. Eu e dezenas de líderes nacionais nos Estados Unidos comparecemos àquela sessão e acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos. Finalmente, no dia primeiro de julho de 2003 foi oficializado o dia 18 de dezembro como o Dia Internacional de Solidariedade com os Migrantes.

Discute-se em fóruns internacionais o Estatuto do Migrante. O Brasil participa, mas sem muito empenho já que há entre nós uma cultura que menospreza, faz chacotas e vê com olhos de desdém o brasileiro que vai lá fora tentar uma vida melhor.

As novas leis de imigração a serem aprovadas pelo atual governo dos Estados Unidos vão dificultar e muito a entrada de brasileiros e infernizar a vida de muitos que já estão no país. Não são medidas “contra” o brasileiro. São novas leis de imigração.

A criação e a atuação de entidades como a Associação de Pais de Migrantes, criada em Governador Valadares, são de fundamental importância.

Doravante o brasileiro que emigra para os Estados Unidos ficará prensado entre as novas leis de imigração e a falta de uma política do nosso governo para o emigrante brasileiro. Política que inclua programas de benefícios sociais, aposentadoria e o direito do emigrante eleger e enviar seus representantes ao congresso nacional.

O Brasil, de país importador de imigrantes passou a ser um exportador de emigrantes. Fala-se em 4 milhões de brasileiros no exterior. O governo não sabe ao certo. Mas, sabe e se beneficia dos quatro bilhões de dólares, que são injetados, anualmente, em nosso país, graças ao trabalho, às privações e à luta de nossa gente no exterior. O valadarense lidera em envio de reme$$as.

Legal ou ilegal (para as leis americanas) o brasileiro tem que receber apoio total e irrestrito do governo do seu país, sem delongas, sem chá-de-cadeira, sem desculpas esfarrapadas.

Vislumbro um novo movimento migratório de brasileiros, desta vez, em direção à Europa, continente já sobrecarregado de migrantes do leste europeu, do Oriente Médio e da África e vejo a celebração do Fourth of July em GV como uma contribuição ao melhoramento e ao estreitamento das nossas relações com um povo amigo e com o qual aprendemos muito.

O Brazilian e o American Day devem ser celebrados, como datas-irmã. Parabéns aos brazilian-american-valadarenses.

 

Jota Alves criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos.
Ex-Secretário de Governo em Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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