| No Brasil,
quem substitui o presidente da República
é o seu vice.
E quem substitui o vice em seu impedimento
é o presidente da Câmara.
Na linha de sucessão estão
o presidente do Senado e o presidente
do Supremo Tribunal Federal.
Vivemos caos nos aeroportos e no
sistema aéreo nacional. Vivemos
caos no senado. Caos na educação.
Caos na saúde pública.
Caos na segurança. Caos nas
estradas. Caos na Amazônia...
Os que estão no exterior acessando
e assistindo os noticiários
“ao vivo” recebem só
o que já passou pelos filtros
da grande mídia que não
pode mais esconder o caos generalizado.
A “noticia ruim” da qual
reclama o presidente já entrou
pelos estúdios, está
nas casas dos donos das emissoras,
passou pela cozinha dos jornalistas,
chegou às escolas de seus filhos.
A grande mídia noticia, comenta
e critica no varejo, mas elogia no
atacado. A economia vai bem (pra quem?),
o dólar anda baixo (favorece
a quem?) e “neste país
nunca se esteve tão bem como
agora”, repete Luis Inácio
Lula da Silva, o mesmo Lula que ataca
os brasileiros que estão “lá
fora” e que segundo ele, falam
mal do Brasil.
Multiplique por dez o que você
vê e ouve aí no exterior
e some por mais dez. A TV brasileira
prestaria um grande serviço
ao país se fizesse um especial:
uma semana nos aeroportos do Brasil
no melhor jornalismo investigativo.
E, que matéria daria a viagem
daquele homem que raspou o tacho,
tomou emprestado, foi para o aeroporto
com a roupa do corpo, na pressa se
esqueceu da dentadura inferior e correu
e esperou e esperou o avião
que o levaria à sua terra natal
para o enterro do filho.
Depois de horas e horas no aeroporto
enquanto seu filho era enterrado,
ele desabafou: só se for nas
asas de urubu. Ou aquela mãe
com seu boy de quatro anos chegando
de Boston, depois de doze horas de
vôo, sem assistência,
sem nenhum conforto, esperando, esperando,
esperando o vôo de conexão
para Belo Horizonte-Governador Valadares
e com a bagagem perdida.
Os nossos aeroportos parecem albergues
de migrantes, pedintes. Mais um desastre
para a já corroída imagem
do governo no exterior. Os operadores
de turismo, os empresários
da hotelaria, resorts, camping, lazer
e serviços vão ter perdas
superior a cinqüenta por cento.
Os que vendem o Brasil como destino
turístico que não esperem
mudanças nem melhorias essenciais
a curto prazo. Há um caos de
manegment institucional no país.
Corrupção na Câmara,
no Senado, no Judiciário, no
Executivo, na cozinha do presidente,
paralisa o país. O congresso
nacional está standby por causa
de seu presidente o senador Renan
Calheiros, de Alagoas. Ele resiste
às acusações
e diz que não vai arredar o
pé da presidência da
casa que deveria ser o Equilíbrio,
o Exemplo.
Imaginemos o cenário: 1) o
vice-presidente da República,
empresário de sucesso, mineiro
de boas tradições, luta
há vários anos contra
o câncer. Faz várias
viagens aos Estados Unidos e o tratamento
tem mantido a doença sob controle,
mas ela limita e debilita, principalmente,
um homem de idade.
2) O presidente Luis Inácio
tem que se ausentar da presidência
e o seu vice não pode substituí-lo,
assim como o presidente da Câmara.
3) A presidência do Brasil
é ocupada exatamente por Renan
Calheiros, senador que está
com a corda no pescoço, acusado
de graves delitos e de fazer fortuna
na política, pela política,
com a política. Renan é
um carreirista clássico. È
lambari e tubarão que dependem
das águas do momento e do meio
ambiente. Um survival.
4) E aí lá vai Renan
Calheiros, presidente do Brasil, falar
em fóruns internacionais. Que
moral teremos para negociar com a
nova França, com os Estados
Unidos, com a Alemanha, com a Holanda,
com o novo governo inglês, com
os grandes, que nos olham desconfiados,
de cima pra baixo, e com os pequenos
para os quais no propomos a ser liderança?
Jota Alves
criou o Dia do Brasil nos Estados
Unidos.
Ex-Secretário de Governo em
Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br
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