| Dos nove estados amazônicos, Mato Grosso é o campeão de queimadas, a maioria criminosa.
Cuiabá, a capital, está totalmente cober-ta de fumaça, muita mais densa do que um nevoeiro, já que, raramente, se vê o sol. Há mais de trinta dias não chove.
Mato Grosso vem sendo desmatado e queimado de maneira acelerada, planejada. A população está totalmente submissa. Virou rotina. O governo estadual e o federal nada fazem para coibir o abuso. Muito pelo contrário, o governo do Rei da Soja, Blairo Maggi, autoriza queimadas.
Diante da omissão generalizada, a única ação contra a situação que passou do trágico veio do juiz federal da 1ª. Vara Federal em Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, que pediu a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar as responsabilidades (Estado e Governo Federal).
Trechos da ação: “Todo o território mato-grossense está coberto por espessa névoa de fumaça. Impregnada de agentes químicos e biológicos extremamente danosos ao meio ambiente e, notadamente, à saúde da população. O Estado vive um desastre ambiental nunca antes visto, sem que o Poder Público estadual ou federal tenha tomado qualquer providência para coibir, fiscalizar, punir ou minorar os efeitos dessa terrível calamidade pública. Mato Grosso tem sido o campeão de queimadas, criminosas ou autorizadas, o que é mais grave”.
“...Estranhamente, a par de todo o sofrimento de crianças, idosos e população em geral, o Estado de Mato Grosso autorizou o reinício das queimadas, desconhecendo a gravidade do problema vivido nesta unidade da Federação. A ação autorizatória é quase um deboche frente ao quadro catastrófico”.
Na capital chamada de Cidade Verde vive-se um tsunami de fogo. Calamidade pública e estado de emergência não traduz o que se está vivendo às portas da Amazônia.
A umidade do ar é de deserto. Nestas condições o cidadão tem que beber pelo menos 3 litros de água para umidificar o organismo. Falta água na cidade. Os reservatórios estão com menos água e, sem as chuvas, o lençol freático está comprometido. Parte da água da população está contaminada.
Os hospitais e os postos de saúde da periferia estão superlotados de crianças e idosos com resfriados, pneumonias, infecção de ouvido, asmas, doenças respiratórias. A fuligem da fumaça, o céu escuro, o calor de 41 graus centígrados, o bafo do sol coberto, fazem de Cuiabá uma cidade “recém-bombardeada”. Cheiro e gosto de doença, vírus e morte.
E aqui estou eu, filho desta terra, berço de águas, de cachoeiras, de nascentes, que corriam abundantes, piscosos e límpidos, em direção ao pantanal, patrimônio da humanidade, também desmatado, queimado e destruído. Testemunha e vítima.
Com o aeroporto internacional Marechal Rondon fechado, a cidade está isolada e sitiada. Todos esperam pelas chuvas que lavam e levam tudo, inclusive, honra, dignidade, caráter, e más notícias. Depois dos períodos de chuva de novembro a março, as queimadas voltarão a ser rotina dos no-ticiários, no próximo ano.
E o presidente Luiz Inácio discursa na ONU dizendo que as queimadas e o desmatamento no Brasil estão sob controle, diminuíram. Na maquiagem estatística do governo, sim. Índices menores que os maiores de antes, más os crimes ambientais continuam, impunes.
Em Mato Grosso, pulamos de 400 para 1.7 mil focos de queimadas. Isso numa estimativa baixa. A realidade é bem outra. Os eco-delinqüentes, a bandidagem ecológica e os criminosos ambientais de colarinho branco estão na dianteira. Desmate, queime, crie o fato, que o governo do Rei da Soja garante.
E, não é somente em Mato Grosso. Rondônia, Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Tocantins, Amapá, Roraima. A Amazônia brasileira está sendo desmatada, queimada, destruída, e no processo, os índios que restam e suas reservas. E quem faz tudo isso? O brasileiro.
Daí de seu conforto, de seu fax, de seu computador, do seu telefone, sendo ou não de um dos nove estados amazônicos, qualquer que seja a sua profissão, manifeste-se. As coisas no Brasil sempre funcionaram mais de fora pra dentro. Tem sido assim desde o nosso “descobrimento”.
Lembre-se sempre: que a gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente. Mato Grosso e a Amazônia estão em chamas. SOS. HELP.
Jota Alves fundou o jornal The Brasilians.
Promoveu por quinze anos consecutivos o carnaval brasileiro
no Waldorf Astoria e criou o Dia do Brasil.
Foi Secretário de Governo em Mato Grosso.
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