| Eu a conheci em New York. E desde então nunca deixei de admirá-la como mulher brasileira e respeitá-la como profissional. Ela estimulou e suavizou o meu regresso ao Brasil. Adorei revê-la em Cuiabá.
Maria Elvira escreveu, durante anos, uma página para o The Brasilians, jornal que fundei e dirigi por vinte anos nos Estados Unidos. Na seqüência, firmamos acordo de cooperação com o Instituto Newton Paiva (atualmente consagrada universidade) e nos estabe-lecemos em Belo Horizonte, capital do Estado de onde sai o maior número de brasileiros para o exterior.
Com ela, as portas do Palácio da Liberdade estavam sempre abertas. Fui recebido, várias vezes, pelo governador Tancredo Neves, com quem eu já convivera. Ele, primeiro ministro da frustrada experiência parlamentarista, um ensaio para o golpe militar que derrubou João Goulart e implantou a ditadura. Eu, secretário-geral da Mocidade Trabalhista do Brasil, com sede em Brasília. O tesoureiro, João Vicente Goulart, sobrinho do presidente.
Duas pessoas quase - quase conseguiram me trazer para o Brasil. O deputado federal Júlio Campos desceu em New York, convicto de que seria eleito governador de Mato Grosso. “Quero levar para a minha campanha dois cuiabanos que fazem sucesso no exterior”.
“Vou ganhar, e farei do embaixador em Londres, Roberto Campos, senador da República e você nosso “embaixador” em New York, deputado federal”. Eu não embarquei, mas Júlio Campos estava certíssimo. Ganhou as eleições para governador e se elegeu senador.
O outro foi Leonel Brizola. Exilado em New York, vivia na rua brasileira, a 46. As instalações do meu Centro Brasileiro de Promoções e do jornal eram uma extensão do escritório político de Brizola no Hotel Roosevelt.
Eu o acompanhei ao J.Kennedy no vôo do regresso definitivo. “Venha e te elegerei deputado”. Não embarquei. Brizola, duas vezes, governador do Rio de Janeiro, elegeu Juruna, Aguinaldo Timóteo, atrizes e jornalistas.
Eu saí do Brasil sem conhecer o Brasil. Viajei do sertão e dos garimpos para megalópoles sem passagens intermediárias por grandes centros. De New York vim conhecer Belo Horizonte, suas belezas e delícias, com a melhor relações públicas do estado de Minas Gerais.
O entusiasmo contagiante, a ener-gia, a sinceridade e a inteligência de Maria Elvira mais a vitória do mi-neiro Tancredo Neves à presidência da República e a candidatura de Carlos Bezerra, colega de lutas estudantis, ao governo de Mato Grosso, foram decisivos para o meu regresso. Afinal, a gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente.
Naqueles dias, entre múltiplas atividades, ela fazia um programa na Rádio Mulher. Eu dizia estar convencido que ela faria uma bela carreira na política. Maria Elvira teve dois mandatos de deputada estadual. Dois de deputada federal. Seu mais recente cargo foi de Secretária de Turismo de Minas Gerais. Atualmente, dedica-se ao engrandecimento e ao empoderamento da mulher através de seu partido, o PMDB.
E foi no Encontro Regional da Mulher, com delegadas de Goiás, Tocantins, Brasília, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, muito bem organizado por Tété Bezerra e suas companheiras, que revi e me renovei com Maria Elvira e a sua última máxima. Mulher: tome partido.
Estou torcendo para que ela aceite se candidatar à prefeitura de Búzios, uma pequena aldeia de pescadores do Rio de Janeiro que ficou famosa graças a uma mulher, a atriz Brigitte Bardot. Nada, absolutamente nada, me impedirá de ir, voluntária e apaixonadamente, participar de sua campanha.
Nestes dias de infidelidade pessoal e de baixo astral político, perdi o entusiasmo por eventos partidários. Mas, quando disseram que o Encontro da Mulher seria, (como foi) presidido por Maria Elvira, eu desci a serra empolgado para vê-la e ouvi-la.
“Mais vale um cartão na mão do que um dólar no bolso” me ensinou o mato-grossense Henrique Rodrigues Valle, embaixador do Brasil em Moscou. Quando Maria Elvira nos dá um cartão de apresentação ela abre porta e oportunidade. O destinatário sempre nos atende com respeito e sinceridade, pois, ele também ficou encantado com os encantos dela.
Maria Elvira é movida por aqui-lo que o americano chama de active friendship. Pois nada é mais desgastante e frustrante do que a meio-amizade, ou aquela, pegajosa, sanguessuga de energia, desprogramadora da mente e da emoção.
Quem tem o privilégio de desfrutar da amizade e do companheirismo de Maria Elvira não precisa procurar por um milhão de amigos.
Jota Alves fundou o jornal The Brasilians.
Promoveu por quinze anos consecutivos o carnaval brasileiro
no Waldorf Astoria e criou o Dia do Brasil.
Foi Secretário de Governo em Mato Grosso.
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