Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
Para acessar o arquivo de Jota Alves clique aqui

A volta do maiô

Coluna 17  

 

Está nas capas, nos desfiles, com cortes e babados para ser a sensação do verão 2008. O maiô está de volta. Repórter e garoto do interior ajudei uma Miss a vestir o famoso maiô de ouro Catalina e minha vida mudou para sempre.

Jânio Quadros conseguiu expulsar Ademar de Barros do Brasil. O governador do “rouba, mas faz” exilado na Bolívia, estava sempre em Corumbá. Na “cidade branca” (Cuiabá era a verde e Campo Grande a morena) fui editar o jornal Correio de Corumbá e lá conheci um dos homens de Ademar, o radialista César Franquetti, da Rádio Clube. Um mestre.

Atuando no jornal e na Rádio fui nomeado representante do concurso Miss Corumbá- Mato Grosso- Miss Brasil-Miss Universo. Já tinha movimentado a cidade promovendo um excelente carnaval de rua. Levávamos artistas de fama nacional e internacional para a cidade-fronteira. Mas, organizar o concurso de Miss Corumbá não foi fácil.

O anúncio do evento foi no La Barranca, um deck musical à margem esquerda do rio Paraguai. Sem amigos, sem di-nheiro e fora da nata social, eu freqüentava e promovia o local que tinha boa música brasileira e latina, ao vivo.

O dono topou, o coquetel foi de graça, mas a casa não encheu.

Vera Ribeiro, Miss Brasil 1959, já casada, com um Secco, estava em Corumbá. O pai de seu marido era comandante da Base Naval de Ladário (família da atriz global Débora Secco). A convidei, mas diziam que ela não iria ao lançamento do concurso. O La Barranca não era freqüentado pela sociedade local. Depois da meia noite, paraguaias, polacas e bolivianas eram as damas da noite.

O marido, fortão, bom de luta livre, não queria que ela fosse. Mas, a Miss Brasil foi, deu entrevista, autógrafos, e prometeu dar o maiô de ouro de sua vitória para a Miss Corumbá desfilar no Miss Mato Grosso, na capital do estado. O La Barranca ficou lotado. O apoio de Vera Ribeiro iniciou o êxito do concurso.

Fui beijar as mãos dos dirigentes do Clube Atlético Corumbaense e a partir daí o concurso Miss Corumbá pegou fogo com as eliminatórias nos clubes de bairro. Por pressão da comunidade lançamos também o concurso Miss Ladário. O distrito naval queria e teve a sua representante.

O avião estava cheio de corumbaense. Eu, ladeado por duas maravilhas, a Miss Corumbá e a Miss Ladário, recebi a chave do Sayonara, o mais famoso night-club do centro oeste brasileiro, onde se realizou o Miss Mato Grosso. Fotógrafos e jorna-listas brigavam pela primeira entrevista com as corumbaenses. Fiquei saudando a multidão do aeroporto e das ruas, como se fosse candidato, com aquele orgulho de pobre vitorioso que volta à terra natal.

A carreata com foguetório e banda de música até o mais moderno hotel de Cuiabá: o Santa Rosa, um triunfo. Toda hora chegava uma Miss, com mãe, pai e torcida organizada. Palpites e fofocas, por toda parte: “tá acertado, quem vai ganhar é a loirona alta de Corumbá, Jota já conchavou tudo”. Mas, e a Miss Aquidauana? E a Miss Três Lagoas, uma beleza! E a de Campo Grande, uma uva e a de Poxoréu, um diamante. A de Poconé, uma pepita de ouro!

Sayonara até a tampa. Aí começou o rolo, a confusão. Torcedores não queriam que a Miss Corumbá desfilasse com o maiô de ouro da Miss Brasil. Diziam que ela ia ganhar ponto antes da hora. Gritos, vaias e aplausos. Eram dois os desfiles. De vestido de gala e de maiô, mas não havia normas nem restrições.

Ali, naquela hora, a Miss Corumbá não tinha outro maiô. Os corumbaenses desconfiavam de marmelada e queriam se retirar do concurso. Sobrou pra eu acalmar os ânimos e convencer membros do Júri. E foi naquele corre-corre e às pressas que ajudei uma Miss a vestir o seu maiô, o de ouro da Miss Brasil. Ela que estava tensa e chorando, desfilou aliviada.

A Miss Cuiabá ficou com o título de Miss Mato Grosso. Uns diziam que “foi um erro desfilar com o maiô de ouro, provocou inveja”. Outros “que a Miss Corumbá ficou deslumbrante no maiô da Miss Brasil”. Tinha gente que pedia a anulação do concurso: “Marta Rocha perdeu por duas polegadas, a moça perdeu por causa do maiô de ouro, mas ela merecia ganhar”.

Eis que o maiô está de volta ditando mais uma moda made in Brasil. Nesses tempos de anorexia, nada como o velho/novo maiô para a silhueta da mulher brasileira, famosa por sua exuberância, charme e beleza.

O maiô é bom. Quebra muito galho. Das esqueléticas, das gorduchas, das lipoaspiradas. Das altas e baixas. Das morenas e das loiras. Há modelos e estilos para todas: turbinadas, platinadas, alucinadas, psicodélicas, santinhas.

No verão o maiô pode substituir a mini saia, as saídas de praia, os biquínis, as tangas e o fio-dental. Dizem que o maiô, por mostrar menos, deixa a mulher mais sensual, mais provocante, e até mais erótica.

Na passarela da vida, aquele maiô de ouro foi meu talismã, meu pano sagrado. Anos depois, lá estava eu na maior cidade do mundo organizando concursos e desfiles no famoso Waldorf Astoria hotel quando a mala de Marlene Morbeck, nossa convidada especial, Rainha do Carnaval do Rio de Janeiro, foi dada como extraviada. The show must go on. À surdina ajudei Marlene improvisar e provar um maiô amarelo-ouro. A Rainha brilhou, acompanhada por um séqüito de músicos, sambistas e cantores cariocas. Daí pra frente, só conheci sucesso.

Ao promover o concurso Girl from Ipanema no terceiro ano do Dia do Brasil- as candidatas desfilaram de maiô- conheci Adriana, Miss Michigan, do concurso Miss USA-Miss Universe, uma special guest e júri do evento.

O maiô de ouro da Miss Brasil mais uma vez me deu sorte. Vivi anos bonitos com Adriana, Miss Michigan, linda, loira e majestade nos seus 22 anos.


 

Jota Alves fundou o jornal The Brasilians.
Promoveu por quinze anos consecutivos o carnaval brasileiro
no Waldorf Astoria e criou o Dia do Brasil.
Foi Secretário de Governo em Mato Grosso.


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
Redação: 4390 N. Federal Hwy #207 - Fort Lauderdale, FL 33308 - Tel.: (954) 938-9292 - Fax: (954) 938-9227
© 2004 - Gazeta Brazilian News | All Rights Reserved. Developed by NetOne Systems Inc.