Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Vanessa da Mata e Vanguart

Coluna 24 
 

O som saía da garagem de um chalé ladeado por árvores frutíferas e muitas samambaias. Parecia a Gal Costa, pensei na Tetê Espínola. Aí ouvi o locutor: ela é do Mato Grosso.

Fui conferir. “Do Mato Grosso”, não poderia ser “casa de mato-grossense” nato. Nós usamos o, “de Mato Grosso”. E foi ouvindo Vanessa da Mata que comecei o primeiro dia de 2008, em um sanatório no Rio de Janeiro. Ainda não estou louco. Uma amiga dos bons tempos de New York levou-me na visita que faz à sua tia querida.
Vanessa, de uma beleza silvestre, bem do Centro-Oeste do Brasil, é destaque na última edição da revista Rolling Stones, a bíblia da música pop e que também traz excelentes reportagens atuais e históricas com lindas fotos em preto e branco. A seguir o que a RS fala de nossa conterrânea e de seu último CD, “Boa Sorte-Good Luck”: “a pergunta é: a “boa sorte” do título refere-se ao Ben Harper ou à Vanessa da Mata? Difícil saber. Nesta união entre a música pop brasileira e a norte-americana o mais sortudo de todos é o ouvinte que, aliás pôde ouvir a composição em vários tipos de emissoras de rádio, já que ela não ficou presa a um segmento especifico  (É MPB? É rock californiano? É pop universal?). Também é curioso lembrar que a canção foi gravada sem que os dois artistas sequer se conhecessem pessoalmente e a milhares de quilômetros de distância - e ainda assim tenha mantido um ar de intimidade e entendimento mútuo. Talvez a temática da faixa, uma separação, tenha ajudado. Ou talvez seja apenas uma questão de entendimento musical mesmo, daqueles que vão bem além da comunicação verbal. Belíssima.”
Vanessa figura nas 50 Melhores Músicas de 2007 e sua foto ilustra a página inteira (71) que abre a contagem das melhores. O comentário: “ Não basta boa sorte para colocar um disco nesta lista. Além dela, que serve de título à canção de maior sucesso de Sim ( “Boa Sorte/Good Luck”, num dueto com Ben Harper), a mato-grossense Vanessa da Mata encontrou a turma certa para colaborar com a produção de Kassin e Mario Caldato Jr. E tem várias participações especiais, de João Donato e Fernando Catatau (Cidadão Instigado). Não bastasse isso, a moça esbanja talento. Todos os quesitos estão preenchidos para este trabalho estar aqui”.

Parabéns/Congratulations Vanessa.
Mas, a agradável surpresa mato-grossense continuou. No mesmo chalé, o Marco Antonio, 17 anos, com uma velha guitarra, repetia acordes do Vanguart, um grupo de cuiabanos que também figura no Rolling Stones. Os chapa-e-cruz (como são chamados os cuiabanos da gema) estão na página 76 da RS de janeiro de 2008. O grupo ocupa o 15° lugar das Melhores de 2007. 
“Uma das bandas mais hypadas de 2007, o Vanguart despertou a atenção da mídia e do público carente por um folk rock nacional bem feito. A escolha por tal estilo rendeu até comparações a Bob Dylan e Neil Young. Mas, exageros à parte, o disco de estréia do trio cuiabano reúne 14 canções divertidas, envoltas em melodias criativas e arranjos à la country western”.
Foi uma sensação gostosa descobrir o Vanguart e re-ouvir Vanessa, principalmente de um som saído de um chalé no lusco-fusco do iniciar de um novo ano. Algo semelhante aconteceu comigo numa ruela de Uppsala, a cidade universitária da Suécia.
Os estudantes estrangeiros da universidade Patrice Lumumba, em Moscou, tinham o privilégio (que os russos não tinham) de viajar nas férias de verão (junho a agosto). Fui lavar pratos na Suécia pra ganhar uns dólares e trazer calcinhas, Lps de Andy Williams, Frank Sinatra, Connie Francis, chicletes, jeans, batons e novidades made in the USA (não havia os made in China) para as dievuski, garotas-namoradas russas.
Nunca me esqueci. Saia do restaurante cheirando a cozinha, e caminhava até o albergue. Eram sete da manhã e neblinava os primeiros sinais das Noites Brancas quando ouvi uma voz gritando: “esse é o Ney Mato-Grosso”. Sozinho, no fiófó do mundo, ouvir a palavra Mato Grosso e uma música brasileira gostosa foi um deslumbramento. Uma benção. Gritei. Um senhor apareceu na janela. Era o Fred Berger. Professor, músico, poliglota. Ele viveu dez anos no Brasil. Tinha casa em Nova Friburgo. Naquela manhã minha vida mudou. E voltei várias vezes a Uppsala, onde fiz cursos de extensão nas férias, e vivi a onda da abertura sexual mundial que começou na Escandinávia.
Já oficiei aos atuais executivos do Dia do Brasil a sugestão para que levem Vanessa da Mata e o Vanguart para se apresentarem no maior festival brasileiro no mundo, atualmente com um público circulante de um milhão de pessoas. Bem no centro da espetacular metrópole, a minha saudosa NewYork.
Fique sempre atento aos sons musicais que saem de janelas e garagens. Eles podem embelezar o seu dia e trazer descobertas gratificantes.

 

Jota Alves criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos.
Ex-Secretário de Governo em Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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