Ano 11 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Jesus, o ecologista

Coluna 29 
 
Ele é o Salvador, o Filho de Deus, o Redentor, o Messias, o Nazareno, o Líder, o Apóstolo da Luz, o Milagroso, o Revolucionário, o Ressuscitado. Entre tantos outros, vos apresento Jesus, o ecologista, o ambientalista.
Os repórteres na história do homem de Nazaré, seus discípulos, nos deixaram passagens bíblicas do estilo de vida daquele que morreu na cruz numa sexta-feira e ressuscitou dos mortos. Na semana da perseguição, da traição, do julgamento, da punição, da dor e da crucificação de Jesus pensemos todos nas lições e nos ensinamentos dele em relação à fauna e à flora, à natureza como um todo e ao ser humano.
Quantas são as passagens da Bíblia que falam da água, das matas, dos rios, das nascentes, das florestas? Ultimamente, tenho pensado muito em debruçar-me sobre a Bíblia e dela tirar parágrafos e versículos diretamente ligados à ecologia. Há centenas de interpretações sobre os textos bíblicos. Especialistas sintetizam e divulgam aquilo que interessa às suas igrejas, denominações e grupos religiosos. Também posso contratar empresas e pessoas altamente capacitadas em extrair da bíblia somente aqui-lo que pode se referir ao Jesus que eu quero promover e fazer conhecido neste momento de tanta barbárie e destruição, principalmente, em Mato Grosso, no Pará, na Amazônia toda.
O que está havendo (ou sempre houve)? Por que as muitas igrejas (todas auto conside-radas verdadeiras na palavra do Senhor) não destacam o Jesus ecologista? Acabo de ler a Dieta de Jesus, um best seller. Também li Jesus, o maior psicólogo do mundo. São milhares de publicações sobre os mais diversos momentos da vida Dele e praticamente nada a respeito de suas relações com o meio ambiente. Quando muito, uma ou outra pequena citação. Nada substancial. Ou será que Jesus, por ser filho adotivo de um carpinteiro só pensava em derrubar florestas, em madeira?
Não carrego um DNA de talento literário para escrever a obra que está faltando na imensa bibliografia de Jesus. Mas, esta precisa aparecer para quem sabe conter o ímpeto de barbárie, destruição e estupidez coletiva. Principalmente a praticada por brasileiros desvairados com o ganho que a floresta oferece. O mogno, por exemplo, é uma preciosidade, de valor tão alto quanto o ouro e a cocaína sem mistura. Será que os desmatadores, queimadores e poluidores de nossas florestas são todos ateus, descrentes de Deus e de sua obra magnífica: o Céu e a Terra?
O que está havendo na pregação da palavra do Senhor, daquele que morreu na cruz para nos salvar? Maior é o número de igrejas nos grotões brasileiros, maior é o nível de desmatamento, de destruição do meio ambiente. Que aritmética diabólica é essa que maior é o número de padres e pastores, maior é a depredação da nossa fauna e flora, e de todos os seres vivos da Amazônia, criaturas do sopro divino que povoa Gaia, a única? Ou será que todas as Palavras atuais são falsas?
O que Jesus faria diante da destruição das nossas florestas? Como Ele reagiria diante da poluição de nossos rios? Da mortandade de peixes e animais silvestres? Teria Ele que usar o chicote, outra vez, e expulsar os gatos, grileiros, eco-deliqüentes, empresários do mal, assassinos de índios, políticos e sacerdotes violadores do Templo máximo da criação de seu pai?
Os repórteres na história, seus discípulos, deixaram informações que nos fazem crer ser Jesus, um ecologista sincero. Sua dieta, suas longas caminhadas, seus hábitos, seu respeito pelo meio ambiente de seu povo, seus ensinamentos e lições reforçam a minha vontade de compilar tudo o que ele disse e ensinou sobre ecologia. Tivesse eu dons carismáticos e fé inabalável em minhas convicções religiosas, poderia sim, fundar a Primeira Igreja Ecológica do Brasil (e por que não do mundo?) centrada na obra e na Palavra do Messias ecológico. Do Salvador, ambientalista.
Em todas as semanas santas, quando a recomendação é para recolhimento, meditação, oração, penitência, dedicação e amor Àquele que tudo suportou e sofreu por nós, gostaria muito de ouvir um sermão, uma pregação nova, uma oração ecológica, uma condenação vigorosa e corajosa dos que fazem tudo aquilo que Jesus condenava.
Já que Ele é uno, indivisível, está em toda parte, e pode ser aquilo ou aquele que cada um precisa, vou apegar-me com Jesus, o ecologista.
Meu Mato Grosso, por exemplo, se assemelha ao templo profanado por falsos pregadores, profetas delirantes. Sinto a presença de Herodes por toda parte. Pôncio Pilatos mandando derrubar matas, depredando o nosso meio ambiente para atender Roma faminta de mais impostos e mais matéria prima. Os Reis da imensa corte são insaciáveis. Está na moda ser um Judas político. A destruição da Amazônia brasileira, por brasileiros é uma das nossas muitas via crucis.
Centuriões dos tempos modernos com suas moto serras sofisticadas fazem jorrar sangue verde na terra outrora abençoada por Deus e bonita por natureza. A financeirização do apóstolo maior do país, o presidente Luiz Inácio e de seus discípulos, muito bem plantada, ensinada, e repetida, como uma tabuada, está levando o Brasil para o Calvário. Será uma crucificação sem ressurreição. Oremos todos a Jesus, o ecologista!


Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Fundou o jornal The Brasi-lians e criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário Extraordinário de Governo em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br
 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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