Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Não tem mosquito

Coluna 33 
 

Usávamos o “não tem mosquito” como gíria afirmativa: não se preocupe, tá tudo bem, vai dar certo. Atualmente, substituída pelo “deixa comigo”.
Não é o caso do mosquito da dengue, principalmente, na cidade e no estado do Rio de Janeiro. Há mosquito por toda parte. Turistas estão voltando contaminados. Uma trágica propaganda. O que se vê é jogo-de-empurra político-eleitoral às vésperas das eleições municipais. A dengue pode derrotar ou eleger. Depende da mordida. Depende do conchavo.
Dengue no Estado é de responsabilidade do governo estadual. Dengue na cidade do Rio de Janeiro é assunto da prefeitura. Dengue nos limites estaduais, nas instalações militares, aeroportos, poços e refinarias de petróleo, da alçada do governo federal. No meio dessa bagunça política, a população carioca, principalmente, a suburbana e rural. Nem os dados, as estatísticas da epidemia são divulgados com honestidade. Cada setor manipulando o número de casos e tipos da doença, de atendimento. E o mosquito continua picando.
Também pudera, a destruição ambiental da cidade e de seu entorno é simplesmente catastrófica. Veredas, nascentes, restingas, morros e vales, todos depredados. As principais baias e lagoas poluídas. A culpa não é do mosquito. É da ganância e irresponsabilidade social da enlouquecida corrida imobiliária que avançou em áreas, nichos e ninhos, fundamentais ao equilíbrio ecológico. A favelização “assassinou” nascentes que abasteciam o lençol freático da grande cidade. Foram fundo nos subterrâneos da natureza. Todos os governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores e políticos do Rio de Janeiro são responsáveis pela degradação da cidade.
Com as fortes chuvas de março, o mosquito ganhou força e consciência política. Para sobreviver, morde, pica e se reproduz na morosidade, no jogo de interesses, na corrupção de gestores públicos e graças à passividade da maioria da população afetada e hipnotizada pelo assistencialismo e o paternalismo que, com o populismo, formam o tripé “ideológico” do governo Lula que está castrando a força criativa do povo.
Todo mundo sabe como se combate o mosquito da dengue. As informações chegam aos rincões do país. Nas favelas e subúrbios as antenas de TV estão por toda parte. Celular e internet, nenhuma novidade. Rádio, jornal comunitário e muitas igrejas. E a população anestesiada, robotizada, não reage em beneficio próprio, prefere receber as migalhas, restos e genéricos da Senzala, as bênçãos e promessas do Salvador, do Antonio Conselheiro, do Sassá Mutema. E a mídia amplia esse estado de coisas com escapismos, receitas que engordam e remédios que emagrecem, com sensacionalismo, superficialidades, vulgaridades. É tempo de mendicância cultural.
As tendas-hospitalares do Exército no Rio de Janeiro, o mais conhecido portão de entrada do Brasil, é testemunho de desgo-verno, de corrupção dos costumes, de doença cívica. Soldado limpando plantinhas, jogando produto em piscinas de traficantes, de falsos-favelados, de cabos eleitorais, de pastores da mentira, de gestores da promiscuidade de ilícitos, é uma vergonha para as nossas Forças Armadas. Igualamo-nos aos mais nefastos rincões africanos.
Vivemos dias de profunda vulnerabilidade. O Brasil não agüenta tranco. Um desastre aéreo de proporção média congestiona o trafego aéreo nacional. Dois acidentes graves atestarão o sucateamento da Força Aérea Brasileira. O sistema hospitalar, a saúde pública, não resistirão uma grande epidemia. Um fenômeno natural pode parar o país. Um baque nas Bolsas (aquelas das finanças internacionais) nos deixará nocauteados. Sem instituições sólidas, sem argamassa cívica, sem pudor e honra, sem dignidade pátria, vivemos o salve-se quem puder. O povo está comendo mais margarina, comprando mais bugigangas eletrônicas e consumindo mais porcaria política, mais populismo, mais lixo cultural, demagogia, mais promessas, mentiras e alucinações.
Neste exato momento, o melhor para acordar e levantar o Brasil é jogar os búzios, conchas e pedrinhas, para que Obatalá leve um enxame de mosquito da dengue para Brasília, principalmente, para o Palácio do Planalto, a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional.
Uma picadinha pode fazer a diferença.

Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Criou o Dia do Brasil. Foi Secretário de Governo no Mato Grosso.


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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