Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Chapada dos Guimarães

Coluna 36 
 

A notícia do acidente chegou ao exterior. Recebi mensagens de quem já visitou a Chapada dos Guimarães a 60 quilômetros de Cuiabá, capital de Mato Grosso e admirou a beleza da cachoeira Véu de Noiva, uma das muitas dentro do Parque Nacional. Também recebi mensagem informando que uma mulher descabelada, com véu vermelho e um bastão iluminado foi vista empurrando a grande pedra que caiu no fundo da cachoeira ferindo várias pessoas. Não foi o primeiro, nem será o ultimo acidente. Gente já morreu no mesmo local.

No Brasil, sítios de grandeza cênica e ambiental são protegidos por várias leis. Na verdade, todos depredados, poluídos, desprotegidos, perigosos. Bruxas e ETs irritados andam por lá.
Nunca vou me esquecer daquele dia 12 de abril de 1989, quando o presidente José Sarney assinou o decreto-lei n°.97656 criando o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Estava feliz da vida por ter contribuído com a criação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso e por ver um sonho se tornar realidade. No ano que vem serão 20 anos de um parque que ainda não saiu do papel. Regularização fundiária, desapropriação, indenização, atualização de cadastros na área de 32.630 hectares, falta de recursos humanos e financeiros. O entorno do parque com agressões de todo tipo.
O que fizeram com mananciais e rios que descem para a planície irrigando Cuiabá e são de fundamental importância para as bacias Amazônica e do Paraguai? Rios que alimentam o Pantanal, patrimônio da humanidade. Sou testemunha ocular e repórter na história da continuada degradação do meio ambiente daquela região. Mudei-me de New York, de mala e cuia, e criei o Jornal de Chapada certo de que estaria contribuindo para preservar aquilo que os políticos chamam de santuário ecológico. Foram dez anos de investimento próprio, com pouquíssimos resultados.
Sim, porque há uma distância abismal entre o que sonhamos e desejamos. É muito forte a prática diária de devastação, de pouco caso com a natureza que nos cerca e nos alimenta. É uma mistura de cultura do mal, estupidez, corrupção dos costumes e a eterna impunidade de políticos bastardos e abastados. Proteção e defesa do meio ambiente? Da boca pra fora! Isso é por toda parte. Não são os norte-americanos, nem os canadenses, nem os holandeses, nem os suecos, que estão destruindo a Amazônia e dizimando os nossos indígenas. São brasileiros sedentos de sangue verde, brutalizados pelo ganho e o consumo selvagem, protegidos e incentivados por exemplos e práticas que saem, diariamente, dos gover-nantes do país. Não vejo a hora de Lula mandar à m...., publicamente, todas as questões e problemas ambientais que na sua visão atrapalham os planos de “desenvolvimento” que ele diz ter para o país. 
Chapada dos Guimarães que já foi o maior município do mundo ficou limitado à sua geografia bela e diversificada, com mata, cerrado, vale, montanha, planície, rios e cachoeiras. São locais que devem ser admirados, protegidos e visitados com respeito, com cuidado e atenção. O Parque Nacional não foi criado para ser lugar de churrasco ao ar livre, práticas religiosas com vela e fogo, esporte radical, caça, pesca, festas raive, shows e outras coisas do consumo que não respeita absolutamente nada. Se for um santuário, deve ser visitado e respeitado como tal. Já foram muitas as vítimas fatais. Outras virão.
O parque é visitado por turistas e estudiosos nacionais e internacionais. O que ain-da resta de seu verde, fauna, flora, e principalmente, de suas águas, será determinante para a qualidade de vida da capital de Mato Grosso que não deve crescer, ou inchar, em direção ao Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Será um suicídio coletivo. Os gestores públicos e os ambientalistas devem, e com urgência, trabalhar em busca de recursos e soluções que tirem o parque, definitivamente, do papel. E o momento é bom para isso. Já que a imagem ecológica de Mato Grosso é negativa e o Estado lava as mãos por ser o parque uma entidade nacional (portanto, de responsabilidade do governo federal). Há que se lutar para que o governo Lula libere recursos financeiros e humanos para todos os Parques e reservas indígenas. Salvaguardas do país.
Se soluções urgentes não forem tomadas, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães deve continuar proibido à visitação pública. Não é bom para a imagem do turismo brasileiro no exterior. Mas, é preciso preservar o meio ambiente e proteger os visitantes. Também não é bom saber que estão trocando o nome da bela cachoeira Véu de Noiva por Véu de Bruxa. Nas noites chapadenses vi alguns Ets fumando nas matas do Jamacá e no Mirante. Bruxas eu nunca vi, mas é certo que elas existem.

Jota Alves fundou o jornal The Brasi-lians e criou o Dia do Brasil em New York. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso. Eleito Cronista do Ano pela Associação Brasileira de Imprensa Internacional.
 alves-jota@uol.com.br

 

Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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