Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Caso Isabella: o que você me diz?

Coluna 37 
 

“Eu estou com Oswaldo Giacoia Jr.que escreveu: a dor da falta de sentido. Opinião também do Cronista, Arnaldo Jabor. Quando vão mudar o Código Penal deste país? As leis de execução penal têm de ser aceleradas, as punições têm de ser mais temíveis, mais violentas, mais rápidas, você não acha?”

“Há um crescimento da crueldade acima de qualquer codificação legal”.
Essa lentidão, esse arcaísmo da Justiça é visível não só nos chamados “crimes de classe média”, como também na barbárie que galopa nas periferias. Lembra do Elias Maluco - o que matou o Tim Lopes com golpes de espada? Estava em “liberdade condicional”, pois a lei concede isso ao “cidadão”. A lei tem que rever esta situação também, de cidadão? Onde o conceito de cidadania?”

“Como escreveu Oswaldo Giacoia Jr: “O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido”“. Como entender que um pai e uma madrasta possam ter ferido, estrangulado e atirado uma menininha de cinco anos pela janela? Como entender a cara sólida e cínica que eles ostentam para fingir inocência? Como não demonstram sentimento de culpa alguma? Ninguém berra? Ninguém chora? Como podem querer viver depois disso? Como essa família toda - pais, mães, irmãos - se une na ocultação de um crime? Como o avô pôde dizer como um grande cara-de-pau que, “se meu filho fosse culpado, eu o denunciaria”?

“Que quer essa gente? Preservar o bom nome da família? Mas, são parentes, ou cúmplices? Como podem os advogados de defesa posar de gravata, terninho e cara limpa, falando de uma “terceira pessoa”? Sei que eles responderiam: “todos tem direito de defesa...”, mas como é que eles têm estômago?
A polícia deu um show de boa perícia no caso Isabella, mas dá para sentir que nossa estrutura penal está muito defasada, com este espantoso crescimento da barbárie. E por fim, por que tantos crimes contra as crianças? O caso do João Hélio, crianças decapitadas na Febem, criança jogada em lagoa em Minas Gerais, crianças no lixão, aquela psicopata em Goiás que contratava meninas pobres para torturar, e mais: pedofilia, espancamentos, tudo. As crianças são fontes inconscientes de terror. Perguntamos horrorizados: Porque eles fizeram aquilo?

Espero receber um comentário seu. O que você acha JOTA?
Envie-me um daqueles seus instigantes artigos e parabéns pela merecida escolha o Cronista do Ano pela Associação Brasileira de Imprensa Internacional”.
Wilson Roberto Silva, Contagem, Minas Gerais.

Quais as lições do caso Isabella? Muitas. Mas pouquíssimas serão lembradas. Outros casos, mais bárbaros virão, e a mídia correrá atrás. O IBGE deve prestar um novo e inadiável serviço à nação: estudar, pesquisar, catalogar e divulgar estatísticas de crimes hediondos, por Estado, por região. Por que se mata tanto em Recife, a Veneza brasileira? Por que se mata tanto na zona rural do Pará? O que leva o brasileiro a cometer crimes bárbaros como aquele do médico paulista que esquartejou uma mulher? Ateiam fogo em mulheres, crianças. Aumenta o crime em família. Filhos matam ou pagam para assassinar seus pais.
“Decifra-me ou te devoro”. Temos que conhecer o monstro que come aos pouquinhos a sociedade brasileira. Não podemos meter o rabo entre as pernas e ficarmos repetindo historietas que introduziram no consciente popular de que o brasileiro é povo de boa índole, avesso à violência, cordial, amante e praticante da paz. Na crueldade e na covardia social o brasileiro está na dianteira.
O que está dando manchete e horário nobre é fichinha, é uma, entre as centenas de barbaridades que acontecem pelo país afora. E a crueldade se alastra pela classe média e se reproduz nas periferias. Onde estão e o que fazem os cultos do país que não se debruçam a estudar e a pesquisar o porquê dessa brutal mudança de comportamento. Ou sempre fomos assim e não sabíamos? Ou só faltava o estopim para a pólvora interior pegar fogo e explodir em atrocidades? E que estopim é esse, ou esses? Qual a responsabilidade da grande mídia em tudo isso? E dos políticos? E dos governantes? E das igrejas, todas as igrejas? No Brasil, aprendemos a jogar o lixo pra debaixo do tapete ou colocá-lo no canto, atrás da porta. Como somos abençoados por essa natureza maravilhosa, empurramos tudo com a barriga cheia de porcarias e a cabeça intoxicada por escapis-
mos, mentiras cabeludas, governantes lunáticos, lixo cultural e um “desenvolvimento” selvagem.
Princípios, instituições sólidas e respeitadas, dignidade social, solidariedade concreta, herança moral, honra, dignidade cívica, são conceitos e paradigmas que desaparecem do consciente nacional. Vivemos o Aqui e Agora e o Tudo por Dinheiro. Mais e mais crimes bárbaros chocarão os que ainda não estão vidioti-zados e moralmente doentes. A mídia na concorrência por audiência e anunciantes vai deitar e rolar com as atrocidades.
Sem líderes nacionais que falem ao povo não o que ele gosta de ouvir e sim o que ele precisa ouvir, sem retentores morais e institucionais, as tragédias pessoais e coletivas se repetirão, cada vez mais bárbaras, cruéis e hediondas.

Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Governo em MT. Eleito o Cronista do Ano pela Associação Brasileira de Imprensa Internacional. alves-jota@uol.com.br

 

Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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