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Não é título de filme, nem de peça teatral. É a dura e cruel realidade. Segundo o bispo da igreja católica, Dom José Luiz Azcona, 300 pessoas estão marcadas para morrer no Pará, estado campeão de assassinatos de religiosos, trabalhadores rurais, líderes sindicais e ambientalistas. “Não me preocupa tanto a minha segurança pessoal. Se existem 300 homens e mulheres marcados para morrer isso indica uma sociedade doente, pobre e moribunda”, repete o bispo ao informar que as pessoas estão marcadas por terem denunciado casos de tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes, pedofilia e crimes ambientais. Dos 300 na mira de assassinos de aluguel, apenas 100 estão sob proteção do governo federal. Junto com as denúncias do religioso estão as notícias da absolvição, extraordinariamente suspeita, do “empresário” rural denunciado como mandante do assassinato da missionária norte-americana Doroty Stang. Ela morreu no dia 25 de fevereiro de 2005. No primeiro julgamento o acusado foi condenado. Recorreu, e no novo júri, foi absolvido. Em Mato Grosso, o bispo Dom Pedro Casaldáliga, esteve, e mesmo aposentado, está na mira de eco-deliquentes da região de São Félix do Araguaia. A bandidagem e a escória dominam a Amazônia brasileira. A promiscuidade é geral. Juízes, desembargadores, advogados, vereadores, prefeitos, deputados, governadores, notários, picaretas, agiotas, falsários, fantasiados de empresários, em conluio, mandam e desmandam em TODOS os estados da Amazônia. E grupos do Exército Brasileiro fazem campanha com camisetas a R$ 30 reais cada com frases: “A Amazônia é nossa “e se manifestam contrários à demarcação de terras indígenas. Criticam missionários, ambientalistas e ONGS, que segundo eles, são agentes infiltrados por nações estrangeiras para tomarem a maior floresta tropical do mundo. Uma milonga velha, plantada pelos “consagrados” geopolíticos da ditadura militar que afirmavam ser necessário povoar a região, ocupar as fronteiras, pois corríamos o risco de uma invasão comunista. Quem nos invadiu? A Bolívia? Suriname? O Peru? A Colômbia? A Vene- zuela? Estudante, caí nessa cantilena “das mais altas tradições democráticas e patrióticas das nossas Forças Armadas”. Não foram democráticos nem patrióticos permitiram a invasão e a ocupação desordenada daquele nosso patrimônio. Generais doaram terras para multinacionais e políticos corruptos. A monocultura devastou imensas áreas florestais. O regime militar transformou Territórios que deveriam continuar com status de federais em Estados da pilhagem, do crime, e de tudo o que não presta na face da terra. O Exército tem que lutar e mandar bala não contra índios, ribeirinhos, pobres caboclos, missionários, onguistas, ambientalistas, líderes sindicais. Tem que ter coragem e educação patriótica para enfrentar os bandidos, os invasores de reservas, os matadores de índios, corruptos e corruptores, a escória. Esses, estão destruindo a Amazônia, que é sim, nossa. Graças à esperteza de D. João VI a maior parte da Amazônia pertence ao Brasil. E, desde então, quem a ocupa, desordenada e alucinadamente? Os vinicultores franceses? Os criadores de porcos da Holanda? Os plantadores de milho dos Estados Unidos? Os dinamarqueses? Quem, neste exato momento, está desmatando, destruindo rios e mananciais, devastando fauna e flora? Quem está em permanente, cruel e premeditado conflito com os índios? Na mira de quem estão as 300 pessoas das quais fala o bispo Dom José Luiz? A Amazônia é nossa. E somos nós (entre aspas) que estamos cometendo todo tipo de ilícito, delito, infração e crime na região. É o brasileiro que está destruindo a sua grande reserva natural, econômica, financeira, seu maior investimento futuro. A certeza de que continuaremos vivos, vem da preservação, ou não, da Amazônia, mas o consumismo canibalesco, a corrupção de pessoas e de costumes, a falta de propósito nacional, as falsas e mentirosas lideranças, os sociopatas do momento político nacional estão transformando o país em terra de ninguém. A nação está doente, esfacelando-se de baixo pra cima e de cima pra baixo. Cidades, com toque de recolher e estado de sítio, informais e de fato. Mais e mais brasileiros estão indo para o corredor da morte por falta de assistência hospitalar. Guerras urbanas matam mais que as guerras de “verdade” em outras regiões do planeta. Já somos campeões do mundo na quantidade, na ferocidade e na barbárie de crimes contra a pessoa. E, nossos governantes a se vangloriarem com premiações criadas pelos marqueteiros do mercado financeiro internacional, repetem a tabuada de números manipulados por estatísticas oficiais e divulgadas pela grande mídia, atolada em dívidas sociais e trabalhistas, mas nadando no dinheiro público, repassado pelos que controlam o caixa da Nação. É o acordo. O toma-lá-dá-cá. Entre eles, está tudo bem. Entre os bancos com lucros espetaculares também. E, estamos também na liderança em corrupção nos Municípios, Estados, Gover-no Federal, Legislativo e Judiciário. Afinal, com tantas mortes no Rio de Janeiro; com a quantidade de assassinatos diários no Recife; com mais pais, mães, irmãos, filhos, netos, avós, se trucidando, bem ao estilo das novelas; com bandidos, pistoleiros e mandantes em liberdade condicional; com a roubalheira de dinheiro público nas barbas do Presidente que continua com alto índice de aceitação, quem se interessa por 300 gatos pingados marcados para morrer lá nas terras do meio do Pará?
Jota Alves graduou-se em Direito Internacional. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Gover-no em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br
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