Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
Para acessar o arquivo de Jota Alves clique aqui

Sinal de alerta

Coluna 38 
 

    “A saída de Marina da Silva do gover-no pode ser interpretada como um sinal de alerta”. Assim reagiu Ângela Merkel, chanceler da Alemanha em visita ao Brasil. Ela já foi ministra do Meio Ambiente de seu país. As reações pela saída da última remanescente da primeira turma petista do primeiro escalão e do primeiro governo Lula são e serão mais acentuadas e sentidas no exterior. No Brasil, a grande mídia minimizou o pedido de demissão da ministra e os hunos, godos e visigodos do desenvolvimento a todo custo batem palmas.

Quando estourou o escândalo do mensalão e cardeais do PT deixaram o governo, Marina, ícone do partido, ambientalista de renome internacional, ficou ao lado do presidente que fingia choramingar pelos cantos do Palácio. Outros muitos escândalos aconteceram e Marina sempre solidária. Foi acossada, sabotada, pressionada, prensada. Já deveria ter saído do governo há muito tempo. Mas, acreditava que contaria sempre com o seu presidente e companheiro dos primórdios do Partido dos Trabalhadores. Herdeira das melhores e mais singelas tradições de Chico Mendes, aquele que, como a missionária Dorothy Stang, foi assassinado a mando dos eco-gangsters que mandam na Amazônia brasileira, Marina foi uma ministra da boa fé, atitude que não têm respaldo dos delirantes, aproveitadores, espertalhões e vampiros do poder central.

Lula é mestre em fritar companheiros, aliados e todos os que podem ofuscar as luzes posicionadas para fazer brilhar seu narcisismo incontrolável. Seu bordão predileto em momentos de crise “não sei, não vi, desconheço” e ainda reclama da carta de demissão de Marina que há muito estava na marca do pênalti. Praticamente isolada na Esplanada dos Ministérios, contava com sua vontade férrea em lutar por uma política justa, honesta e salvadora da Amazônia. Os eventos na reserva Raposa do Sol, o desmatamento incontrolável em Mato Grosso, a absolvição do mandante do assassinato da missionária norte-americana e as malandragens político-eleitorais do Planalto a deixaram doente e indignada. Em sua carta de demissão ela foi elegante e poupou o grande responsável por sua saída, o “pragmático” Luiz Inácio Lula da Silva.

Em recente artigo neste espaço comentei “que há gente em Brasília louca pra mandar a m...as discussões ecológicas e os projetos ambientais de preservação da Amazônia que para muitos atrasam o tipo de desenvolvimento que Lula diz ter para o País”. Os ruralistas do mal estão soltando foguetes. Aqui em Mato Grosso, os que detestavam as posições defendidas pela ministra comemoram com churrascos e se preparam para a nova temporada de desmatamento e de queimadas, com a chegada da estiagem, em junho próximo, quando a fuligem, a névoa seca e a fumaça cobrirão, mais uma vez todo o Estado. Os aeroportos ficarão horas e dias fechados e o fogo estará acesso e voraz até as primeiras chuvas de dezembro.

ã procura de um pato para o ministério do Meio Ambiente Lula atirou no que viu e acertou no que não viu. O governador do Rio de Janeiro foi a salvação. Autorizou seu homem de confiança, Carlos Minc, a falar com o presidente por telefone, e de Paris aceitou a carga pesada. Já começou avisando: “conheço bem o Rio, não conheço o Brasil”. Mesmo com relevantes serviços às causas ambientais, um dos fundadores do Partido Verde, deputado estadual, várias vezes, atualmente no PT, Minc assumiu o ministério de maior visibilidade e importância no país, num conchavo de interesses político-eleitorais. Fortalece seu governador, se solidifica como homem do PT e vira um bom moço para Lula. Mas, até quando?

No currículo mais recente de Carlos Minc há decisões na área ambiental favorecendo interesses de empresas, empresários e projetos no Rio de Janeiro. Um péssimo sinal do que poderá acontecer no Ministério. Neste exato momento, de tantos conflitos ambientais e de outros mais a explodirem, Lula passa a ter um ministro que “não co-nhece o Brasil”. O que na realidade é bom, muito bom para o Planalto, dominado por ministros, parlamentares e porta vozes de interesses do desenvolvimento acelerado, da expansão da fronteira agrícola (leia-se mais desmatamento, mais queimadas), da não homologação de reservas indígenas, de mais e mais facilidades oficiais e de tomada pura e simples de mais terras pertencentes à União. Vão deitar e rolar.

Na demagogia de sempre o presidente diz que a saída da ministra Marina não muda a política ambiental, que segundo ele é política de governo, de Estado. Lula nunca teve política ambiental nenhuma. Seu conhecimento, entendimento e percepção de ecologia sempre foram primários. Nunca foi a sua praia. Nunca fez parte de seu discurso no movimento sindical urbano. Ele chegou ao meio ambiente porque o Brasil chegou a essa encruzilhada e é problema mundial, do planeta Terra. Usou e abusou do bom nome nos fóruns internacionais, da dedicação, da honestidade e da boa fé de Marina Silva. Governando por impulsos, sem seus companheiros de jornadas, com o melhor da inteligência brasileira que o fa-bricou, burilou e o promoveu a líder nacional afastada de seu convívio, decepcionada com suas constantes negações a passado, princípios, valores, Lula não fala coisa com coisa, governa sem propósito nacional, faz acertos em nome da “correlação de forças” com o diabo e seus comparsas. Aliou-se com a escória da política nacional, passou a repetir a cantilena e a tabuada de números e estatísticas dos que sangram o país. Topa tudo, pensando num terceiro mandato, já, ou em 2014. Confunde descoberta de poços e de produção de petróleo com desenvolvimento e progresso. Os exemplos do oriente médio não lhe dizem respeito. O seu amontoado de obras fragmentadas, o PAC, quem sabe sem Marina da Silva no ministério da ilha da fantasia, sairá do papel. Será um salve-se quem puder, com muito sangue verde a molhar o que ainda resta da Amazônia brasileira. Quem viver, verá.


Jota Alves fundou o Centro de Promo ções Brasileiras e criou o Dia do Brasil em Nova York: o maior festival brasileiro no mundo. Formou-se em Moscou. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso.


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
Redação: 4390 N. Federal Hwy #207 - Fort Lauderdale, FL 33308 - Tel.: (954) 938-9292 - Fax: (954) 938-9227
© 2004 - Gazeta Brazilian News | All Rights Reserved. Developed by NetOne Systems Inc.