Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
 
 
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Eleições

Coluna 39 
 

    Nos Estados Unidos, presidenciais. No Brasil, municipais. Nos Estados Unidos, as eleições de novembro trazem muitas novidades. No Brasil, as de outubro, nenhuma. A malandragem política mantém a fórmula que permite espertalhões, delirantes e corruptos iniciarem a carreira nas Prefeituras, passarem pelas Assembléias Legislativas, pelo Congresso Nacional e chegarem à Presidência da República. O louco Jânio Quadros foi um deles.

O cidadão vota, assina uma promissória cívica, coloca o seu futuro e o da sua família, seu patrimônio, sua qualidade de vida naquele que foi eleito para administrar a cidade por quatro anos. Dois anos depois o prefeito passa o cargo para o vice e se candidata a deputado, senador ou a go-vernador. A população idiotizada por essa “tradição” aceita essa vil situação que vem arrebentando e desordenando as cidades brasileiras.

O Brasil nunca teve sorte com seus vices. Na Presidência da República eles pouco ou nada fizeram, mas criaram situações de desestabilização, como Café Filho, vice de Getúlio Vargas. Os militares mandaram Pedro Aleixo para as Minas Gerais. Fernando Collor nunca gostou de Itamar Franco e vice-versa. Marco Maciel não fedeu nem cheirou como vice de Fernando Henrique Cardoso. Com a renuncia de Jânio Quadros os militares que odiavam João Goulart o impediram de assumir a presidência. Estourou a campanha pela legalidade comandada por Leonel Brizola. Inventaram o parlamentarismo à brasileira para dividir o poder e um plebiscito devolveu a presidência plena a Goulart que, com o golpe militar, acabou se exilando e morrendo no exterior. O nosso atual vice-presidente, empresário de sucesso, está há muito nocauteado por um câncer.

Imaginemos esse cenário nas cidades brasileiras onde a promiscuidade política- familiar - empresarial-policial manda e desmanda. Há municípios onde uma família é dona de tudo. Há estados como o Pará, onde a bandidagem política é regra. Os acertos políticos são feitos para que o troca-troca de oligarquias, como a de Sarney no Maranhão, se perpetue no poder. Os caciques elegem seus prefeitos e barganham com os “adversários” as cadeiras dos vices, já viciados em ficarem na sombra, mas beliscando bons pedaços do bolo de obras, e da arrecadação municipal. É bom ser vice-prefeito no Brasil, pois fica na sombra, nomeia parentes, presta e consegue favores e na surdina, ou como a escola política mineira ensina, “trabalha em silêncio”.

Nem pré-campanha eleitoral tem mais. O povão está anestesiado, e contente em saber que teremos em breve um celular para cada habitante. Já passamos da marca dos 120 milhões de aparelhos. Uma maravilha do consumo. Mas, os alimentos estão pelos olhos da cara. O feijão e o arroz nosso de cada dia mais caro e mais raro. Quem se interessa por vereador, a pessoa eleita para fiscalizar e criar leis importantes para a cidade? A maioria dos eleitores não se lembra em quem votaram nas eleições municipais passadas. A compra de votos continua. Quem vende voto, não se interessa em reivindicar. Aliás, não tem o direito de exigir nada. E assim é que é bom. “Povo marcado, povo feliz.”

As grandes cidades do país estão cada vez mais arregaçadas, desordenadas. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre lideram em trânsito caótico. Em balas perdidas, em conflitos, em “guerras” com o crime organizado. Em escândalos que se multiplicam nas Assembléias, no Judiciário, nos governos estaduais e nas prefeituras. E não há nenhum sinal de mudança, de solução, de volta por cima. É com esse cenário visto por todos, e sem a reforma política, tão prometida pelo presidente Lula, que o brasileiro caminha para o matadouro eleitoral. Votará, ganhará, mas não levará. A auto-destruição da capital paulistana, por exemplo, tem sido alimentada por seus políticos e seus esquemas diabólicos.

Onde quatro anos não são suficientes para uma administração responsável, corajosa, transformadora, os prefeitos ficam dois anos e saem para novas aventuras. Marta Suplicy quer voltar à prefeitura para que e por quê? E José Maria Alkimin? Se, eleitos, ficarão os quatro anos? E, Erundina, quer voltar para quê? Mas e a cidade, e o trânsito, e a desordem urbana?
Nas eleições municipais, as que mais deveriam empolgar os eleitores, pois são as que podem resolver problemas do day by day de nossas ruas, avenidas, praças, parques, trânsito, de nossa qualidade de vida, não há nada de novo.

Para que mexer em time que está ga-nhando, não é mesmo?

 

Jota Alves fundou o jornal The Brasi-lians em New York. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
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