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Briga de estudantes
As briguinhas de crianças, meninos e jovens fazem parte da vida. Brigas entre gangues de estudantes já é coisa séria. E o quebra-pau se repete em muitas cidades brasileiras. Em Cuiabá, capital de Mato Grosso, a situação anda feia. Com os uniformes de suas escolas públicas para identificar e marcar terreno, se parecem a times de futebol com torcidas organizadas.
Estão usando o orkut e outros canais para marcarem hora e local das brigas que se repetem em praças e travessas da cidade. Há estudante hospitalizado com traumatismo craniano. A policia já recolheu canivetes, facas e um revólver velho.
O que se segue é resumo de entrevistas e artigos recentes:
“Cerra-fila nos desfiles de 7 de setembro, molares já estragados pelas cáries, franzino, pau-rodado dos garimpos, com medo de assombração, de índole pacífica, virtude passada pelos pais, só briguei duas vezes. A primeira, com oito anos, na travessa entre a Catedral e a Escola Modelo Barão de Melgaço não chegou a se consumar pra valer, mas reuniu muitos colegas. A segunda, já adolescente, ao pé do obelisco na Praça da República. A turma do deixa disso apartou. Futebol, política estudantil, Rádio e Jornal ocuparam o meu tempo de colegial. Eu me orgulhava do uniforme do Colégio Estadual.
Boa parte do Brasil está sendo governada, administrada e produzindo, graças à geração que participou de grêmios, associações e uniões estudantis. José Serra, governador de São Paulo, foi presidente da União Nacional dos Estudantes. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence, também dirigiu a gloriosa entidade na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro. Requião, governador do Paraná, os ex-governadores de MT, Carlos Bezerra e Julio Campos foram líderes estudantis. Os mais ativos pensadores do Congresso se formaram nos grêmios e na política estudantil. A ditadura sabia que era preciso quebrar resistências ao regime. Começou pelas escolas públicas e universidades.
Mas, foi/é o PT, como instituição política, o grande responsável pelo afrouxamento institucional da escola brasileira, como um todo. Ao comandar nos centros de ensino, nos núcleos de pensamento e conhecimento uma luta “ideológica” contra a ditadura, atravessou o sinal e passou com suas dissidências e grupelhos aos interesses corporativistas. Após o regime militar, a situação se agravou. Foram milhares de greves e de paralisações setoriais. Para se chegar ao poder era preciso dominar os núcleos de inteligência, fonte de quadros partidários e de eleitores. Infernizaram o governo Sarney e fustigaram, sem trégua, o professor-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A confusão ideológica alastrou-se, se combateu tradições em nome do “novo”, do “revolucionário” e de mudanças. Cada líder petista regional, um “educador”, um “pensador”, um “Paulo Freire”. O discurso do rompimento com a herança ditatorial levou à desordem institucional, à quebra de hierarquia, de comando, de carinho e de respeito à escola. Não é, portanto, de se assombrar com a qualidade do ensino, com a falta de objetivo, estimulo e de dignidade que fragilizam a educação, sucatam as instalações escolares e faz do estudante um teleguiado, um jovem brasileiro sem sonho e sem horizontes. O Estado brasileiro nunca teve políticas públicas definidas, estas sempre dependeram do governante, de seu grupo partidário, de seus amigos e empresários do momento internacional.
Se, o presidente Lula e o PT tivessem uma política educacional para o Brasil, como prometem, há mais de trinta anos, não teriam descartado e fritado, Cristóvão Buarque, ex-ministro da Educação, reitor da Universidade de Brasília, atualmente senador, um dos melhores pensadores e administradores educacionais da nação. E não adianta definirem estatísticas e manipular resultados. Em matéria de educação e cultura vamos de mal a pior. Daí para as gangues e brigas estudantis, nenhuma novidade. “È melhor que ponham o tesão, os espermas, a energia juvenil nas porradas, nos socos e pontapés do que irem para as drogas e a criminalidade”, inconformado, desabafa um professor.
Um outro sugere: “Sem perspectivas, mal educados em casa, sem política estudantil, formadora de caráter e de pensamento dialético, sem interesse pela leitura, com pouca presença esportiva, sem respeito e amor ao uniforme da escola, com as letras e o ritmo bate-estaca da música popular do momento, com o conteúdo dos provedores e grupos da internet, com as drogas à vontade, é quase natural briga de estudantes nas ruas e praças, uma solução: “vamos levar os grupos que querem brigar para uma arena, um campo de futebol e com torcidas organizadas e com juízes, que briguem à vontade, nas ruas e praças, é uma vergonha para a capital de Mato Grosso”.
Jota Alves graduou-se em Direito Internacional em Moscou. Criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso. alves-jota@uol.com.br
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