Ano 14 - - Fort Lauderdale, FL - USA
Adicione o Gazeta a sua lista de favoritos
Ache aqui o ponto de distribuição Gazeta mais próximo de você!

Capa da semana
 
 
Para acessar o arquivo de Jota Alves clique aqui
07/29/08 Opinião
 

As pesquisas do IBGE e a moral do brasileiro

Desde 1940, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística fornece números ao governo para que ele tenha condições de trabalhar na solução dos problemas nacionais e pela melhoria de vida do nosso povo. O IBGE é assim como a Polícia Fede-ral, um órgão de governo, mas, que deve pesquisar e fornecer estatísticas ao Estado. Deveria/deve ser totalmente isento, imparcial, cientifico e não vincular-se a companheiros, a siglas partidárias, aos governantes desta ou de qualquer época.

O brasileiro, em geral, não dá bola para pesquisas. Não temos a cultura das estatísticas. Não as levamos a sério. São tantas manipulações, usos e abusos de pesquisas qualitativas, quantitativas, políticas, de opinião, que são poucos os que nelas se apóiam para as decisões do cotidiano. Mas, a situação está mudando e isso é bom, muito bom para o país e para o cidadão. Empresas jornalísticas fazem suas pesquisas de mercado, de tendências, eleitorais. As TVs, de audiência, Ibope, grade de programação, preferências, programas, personagens, produtos. As universidades treinam formandos com pesquisas de campo, pontuais. Prefeitos, governadores, administradores e gestores públicos ainda são omissos quanto às pesquisas. Eles têm medo dos resultados.

A ONU e suas agências (UNESCO, OMS, OIT, etc.) sabem mais do Brasil que nós mesmos. A CIA (Agencia Central de Inteligência dos Estados Unidos) tem pesquisas, estatísticas, números e dossiês de longo prazo sobre o Brasil. Previsões para daqui a trinta anos ou mais. Uns ficam preocupados, outros assustados com as informações e os números que organismos internacionais têm sobre a nossa Amazônia. O Brasil e seus governos não sabem o que temos e o que somos na maior floresta tropical do mundo, daí a selvageria, a guerra de interesses e a destruição contínua daquele nosso patrimônio. A União, até hoje, não mapeou suas terras. A ilegalidade e a falsidade de escrituras, registros e de posses são impressionantes. Daí as chacinas.

Recentemente, o país está sendo bombardeado com pesquisas sobre a masturbação, um ato que nasceu com o ser humano, ainda no ventre da mãe. Há uma onda de pesquisas sexuais divulgadas a torto e à direta, como uma grande novidade ou como um dos muitos exageros da mídia carente de redatores, de criatividade, de conteúdo. A primeira vez do menino. O beijo de boca. A quantidade de transas de meninas de treze, quatorze, quinze anos. Como fazer melhor. Como aprender. Como ser cachorra, como transar com vários garotos em uma noite punk, nos pagodes, nas raive. Como ser boa competidora e uma predadora sexual. Aprender a ser mulher melancia, ser boa na dança do créu, da garrafa.

Está tudo escancarado em bases “científicas”. Professoras, pedagogas, psicólogas, mães, dão entrevistas contentes com o comportamento de seus pupilos. O máximo.

O governo federal adora divulgar os números da Petrobrás. Usa e abusa deles como se fosse ele, o governo, a razão de tanta descoberta, produtividade e eficiência. Os números da Grande Safra, as plantações de cana, a produção de etanol, as possibilidades internacionais do bicombustível, as exportações de matéria-prima. Os números das muitas Bolsas que o gover-no distribui. As cifras de investidores. O movimento, quando interessa, das bolsas de valores. Os números das pesquisas de opinião sobre o presidente Lula. O IBGE pesquisa, dá cifras e dados que o governo usa como quer. Mas, quem decide o que vai ser ou não pesquisado? O que vale ou não vale ser do conhecimento do país e de seu povo? O que deve ficar debaixo do tapete?

Em números e estatísticas que interessam aos governantes e ao sistema econômico o IBGE vai bem, muito bem. Mas, o país precisa da Geografia Humana que o instituto precisa e com urgência fornecer ao país para conhecermos e entendermos o porquê de tantas e profundas diferenças, problemas, injustiças, distorções e aberrações. A cultura nacional não estimula a crítica. O brasileiro não aprofunda. Dá preferência às superfícies, aos cosméticos, às lipos. Comportamento e compromisso social, caráter, princípio, moral, ética, são menos importantes que cirurgia plástica, dietas, carro do ano, enriquecimento rápido, especulação, contrabando, tirar vantagem,  novela, e na onda do momento, a sexualidade divulgada, vulgarmente.

Onde há mais corruptos no Brasil? Quem são os maiores sonegadores do INSS? Os cem maiores predadores da Amazônia? Porque tantos assassinatos em Recife? Porque o Rio de Janeiro chegou a essa trágica situação de insegurança pública? E a desordem urbana em São Paulo, se deve a que e a quem? Onde há mais governantes e gestores públicos corruptos, em Rondônia ou no Pará? Por que Brasília está cercada de delinqüentes, traficantes, desordeiros, bandidos públicos e privados, de carro importado e de bicicleta? Temos mais celulares, mais computadores, mais acesso a bens de consumo e mais crime, mais violência urbana e rural, mais pedofilia, mais exploração sexual de menores, mais políticos ladrões. Por quê? Para onde caminha o país?  Por que o brasileiro está mudando tanto, e para pior no quesito relações humanas? O porquê de tanta desintegração social? 

Precisamos e com urgência do lado humano, da geografia comportamental e moral do brasileiro. Os números que o governa divulga, todos os dias, nos noticiários, não representam o lado humano da nação. Precisamos de um IBGE transparente, totalmente independente e pesquisas que nos ajudem a sair dessa situação de desagregação social, de pobreza cultural.

Jota Alves criou o Dia do Brasil nos Estados Unidos. Foi Secretário de Go-verno em Mato Grosso. Eleito o Cronista do Ano pela Associação Brasileira de Imprensa Internacional. alves-jota@ uol.com.br


 
 
 
 
 

 

 

 

 
 
 
 
Redação: 4390 N. Federal Hwy #207 - Fort Lauderdale, FL 33308 - Tel.: (954) 938-9292 - Fax: (954) 938-9227
© 2004 - Gazeta Brazilian News | All Rights Reserved. Developed by NetOne Systems Inc.