| Memorização — você constrói a sua sabedoria
Nem tudo o que percebemos desperta a nossa atenção, pois, se isso acontecesse, não daríamos conta de administrar as milhares de informações por segundo que nos bombardeiam. Entretanto, quando não colocamos suficiente atenção em determinadas coisas, somos incapazes de nos lembrar delas posteriormente.
Memorização é a mola-mestra do aprendizado, mas para que ela ocorra é fundamental existir uma motivação em relação ao que se quer memorizar. Sem motivação, não conseguimos ativar a atenção nem o interesse e, conseqüentemente, não acontece a memorização.
Você precisa estar interessado no que estiver ouvindo, vendo ou fazendo para que fique registrado em sua memória. E também precisa compreender o que estiver ouvindo, vendo ou fazendo: sem entender uma informação, você não será capaz de memorizá-la ou o fará com muita dificuldade.
Além disso, para que a memorização de uma informação ocorra, efetivamente, é preciso estabelecer associações e repeti-la. Quanto mais associações você puder estabelecer entre a informação nova e as já memorizadas, mais facilmente o cérebro irá retê-la e, depois, resgatá-la. E quanto mais você puder repetir a informação nova, melhor!
Logo, para que uma informação nova fique retida na memória, é preciso estar motivado para recebê-la. Depois, ela requer atenção, interesse e compreensão. E, completando o processo, recomenda-se estabelecer associações e repetir a nova informação.
Existe um esquema básico pelo qual uma informação nova é recebida e transita até ser fixada na memória permanente ou ser descartada. Vejamos:
- uma informação chega até você na forma de um estímulo externo que impressiona um ou vários de seus sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar);
- automaticamente, essa informação vai para a sua memória temporária;
- dependendo da intensidade e da quantidade de sentidos que a informação tiver impressionado (critério de determinação da importância), ela entrará em processo de esquecimento ou passará por um processo elaborativo, indo para a memória semipermanente, que lhe permitirá ser resgatada quando necessário;
- se a informação for utilizada com freqüência (se for realmente útil), ela passará para a memória permanente; contudo, se não for acessada ou se for acessada apenas esporadicamente, também esta informação entrará em processo de esquecimento.

O esquecimento é um processo passivo, enquanto a transferência de uma informação nova para a memória permanente é um processo ativo, que requer energia.
Então, você me diz: “Mas eu nunca fiz qualquer esforço para memorizar as coisas que sei.” E eu digo que você nunca fez qualquer esforço voluntário, pois nada teria sido retido na sua memória se você nunca tivesse tido algum tipo de motivação que o levasse a prestar atenção em alguma coisa. Voluntária ou involuntariamente, você participou do processo de memorização de tudo quanto sabe, não tenha dúvida
Dr. Lair Ribeiro
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