| Esta
semana tive a honra de entrevistar
a maior expert brasileira no mercado
da moda, e consultora de moda e estilo
mais aclamada no Brasil, Glória
Kalil. Ela está à frente
do seminário internacional
“Fashion Marketing 2007”,
já na sua segunda edição,
a ser realizado em São Paulo
no World Trade Center, dias 17 e 18
de Abril. O evento contará
com a presença de figuras de
destaque na área para debater
o mercado de moda brasileiro: Vittorio
Missoni e Margherita Missoni (Missoni,
Italy), Fern Mallis (VP IMG Fashion
/ NYFW), Giovanni Bianco (diretor
de arte da GB65 e responsável
pela comunicação visual
de Madonna, Nike, Missoni, D&G,
Dsquared2, entre outras personalidades
do mundo fashion), Colin McDowell
(Sunday Times Style / Presidente da
Costume Society of Great Britain),
Vicente Donini (Marisol, Rosa Chá,
Lilica Ripilica e Pakalolo), Barbara
Kolsun (VP 7 For All Mankind), Xavier
Mayer (VP Morgan Stanley), Gilberto
Gil (Ministro da Cultura) e Paulo
Borges (organizador do SPFW).
Segundo a Glória, a segunda
edição do evento veio
como uma consequência natural
do primeiro, numa busca por respostas
para os principais problemas que tem
afetado o mercado de moda brasileiro.
O diagnóstico constatado no
primeiro evento não foi nada
animador: “a moda brasileira
brilha mas não vende”,
“não temos marcas fortes
e competitivas no mercado internacional”,
“precisamos colocar nosso foco
no consumidor e na imagem para o fortalecimento
das marcas e criação
de uma identidade brasileira”.
Ela acredita que a participação
de empresários e do governo
é fator crucial no enfrentamento
destes problemas. Dados fornecidos
pela assessoria de comunicação
da ABIT – Associação
Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção confirmam
este diagnóstico. Nos últimos
anos a nossa indústria vem
diminuindo a produção,
sendo apenas 8% destinada à
exportação. Ainda segundo
a ABIT, “em razão da
política cambial brasileira
e de outras séries de fatores
macroeconômicos, como juros
e alta carga tributária, o
setor têxtil e de confecção
vem sendo fortemente afetado pela
concorrência com a China. O
volume de vestuário importado
entre 2003 e 2004 aumentou 170%, segundo
pesquisa da Rosenberg & Associados,
publicada recentemente no jornal O
Estado de São Paulo. A mercadoria
importada vem substituindo a produção
nacional, o que tem impactado nossa
indústria. De acordo com o
IBGE, a produção física
de vestuário caiu 4,96% no
último trimestre de 2006. Também
no ano passado, a indústria
têxtil e de confecção
demitiu mais de 100 mil trabalhadores
em decorrência do problema.”
A participação de empresários
já se faz ativa, quando no
próximo dia 18, o setor irá
realizar uma mobilização
em Brasília. Nesta ocasião
está prevista a entrega de
uma proposta para projeto de lei que
objetiva desonerar o setor. Além
da cerimônia de entrega dos
documentos, uma instalação
temática sob coordenação
do estilista Ronaldo Fraga, com a
participação de costureiras
e performances de modelos, irá
chamar a atenção para
a importância do setor têxtil
e de confecção e as
desvantagens da concorrência
e comércio desleal para a economia
brasileira.
Já a participação
do governo deverá acontecer
de forma reativa à aquela manifestação
e à importante presença
do Ministro da Cultura, Gilberto Gil,
durante o Fashion Marketing 2007.
A Glória acredita que a experiência
do ministro, como peça fundamental
na criação e exportação
da marca Brasil na área artístico-cultural,
será de grande proveito na
visualização de estratégias
de sucesso e criação
de mais uma marca nacional, a moda
com identidade brasileira de reconhecimento
mundial.
Para finalizar, um agradecimento
especial a Glória em ter gentilmente
nos concedido esta entrevista por
telefone.
Não percam as nossas próximas
edições! Estarei acompanhando
todos os acontecimentos no desenrolar
destas iniciativas, para mantê-las
informadas dos rumos da indústria
da moda brasileira nesta fase tão
crítica.
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