Economia entra no centro da disputa pelo segundo turno

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Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência em 25 de outubro, em uma eleição marcada por forte polarização e por um cenário econômico que exigirá decisões sobre inflação, juros, contas públicas e crescimento.

O primeiro turno terminou sem definição, levando Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao segundo turno. Na apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio terminou à frente, com 44,85% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 44,70%. A votação definitiva para presidente ocorrerá em 25 de outubro.

A economia será um dos principais temas da nova etapa da campanha. O cenário para 2026 combina crescimento mais moderado, inflação ainda pressionada e juros elevados. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta expansão de 2% do PIB em 2026 e inflação de 4,9%. Já a Instituição Fiscal Independente trabalha com PIB crescendo 2%, inflação de 5% e Selic de 14% ao final do ano.

Outro fator relevante é a nova composição do Senado. 54 das 81 cadeiras foram disputadas neste domingo, e o resultado produziu forte renovação. O PL teve desempenho expressivo, elegendo nomes como Carlos Bolsonaro e Carol de Toni em Santa Catarina, além de conquistar diversas outras vagas.

Se Lula vencer

Uma eventual vitória de Lula significaria a continuidade do atual projeto econômico, mas com um Congresso renovado e com maior presença de partidos de oposição e centro-direita no Senado. O principal desafio seria construir uma base capaz de aprovar medidas econômicas, controlar a trajetória da dívida e manter a confiança dos investidores.

Nesse cenário, o comportamento dos juros, do dólar e da Bolsa dependeria principalmente das primeiras sinalizações do novo governo sobre responsabilidade fiscal, composição da equipe econômica e medidas para conter despesas. A continuidade de programas sociais e de políticas de estímulo à renda também deverá permanecer no debate.

Se Flávio Bolsonaro vencer

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria uma mudança de orientação política no governo federal. O novo governo teria de apresentar rapidamente sua equipe econômica e definir prioridades para contas públicas, tributação, investimentos e relação com o Banco Central.

A vantagem de um eventual governo Flávio seria contar com uma bancada de direita fortalecida no Senado, mas isso não significa maioria automática. A nova composição da Casa inclui representantes de diferentes partidos, entre eles PL, Republicanos, União, PSD, MDB, PT, PSB e outros.

Nos dois cenários, o mercado deverá observar principalmente três pontos: controle das contas públicas, trajetória da inflação e capacidade do novo presidente de construir maioria no Congresso. A eleição, portanto, não definirá apenas quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2027, mas também o ambiente político para as decisões econômicas dos próximos anos.