Duas mortes com duas medidas - Editorial
Dois dias depois, um jovem atleta de 24 anos teve a sentença de morte decretada em um desentendimento com um policial de folga, na linda e um dia tranquila Guarda do Embaú, em Santa Catarina. Ricardo dos Santos era surfista profissional e sua morte precoce despertou a reação imediata de alguns dos grandes nomes do esporte que ele praticava, como o norte-americano Kelly Slater.
Além de exaltar a competência do jovem no esporte, o surfista americano que já foi 11 vezes campeão mundial foi enfático ao citar as “50 mil mortes por ano” no país, afirmando que “falta de educação combinada à pobreza e drogas” fazia do Brasil um dos “mais bonitos e assustadores países do planeta”. “Essa foi realmente uma perda sem sentido”, escreveu Slater, no site de rede social, Instagram.
Enquanto a morte do jovem, conhecido como Ricardinho, causou comoção em todos, alarmados com a violência constante que “condena” pessoas à morte todos os dias em todo o país, as circunstâncias da morte de Marco trouxeram opiniões diferentes quanto ao “merecimento” por uma condenação do tipo em um país que deixa claro que esse é o fim levado por traficantes de drogas.
Em sua coluna no site da revista “Veja”, Caio Blinder disse que duas linhas de comentários vieram de seus leitores. Uma delas condena a punição selvagem, um abuso aos direitos humanos.
A outra, dizia: “pena que o Brasil não seja igual e trate seus criminosos da mesma forma exemplar”.
É muito triste ter a consciência que, embora o Brasil não adote a pena de morte, inocentes são mortos todos os dias, fim de uma longa somatória de problemas que vão desde a educação até o tráfico de drogas.
Quanto a morte de Marco e a defesa da pena de morte por alguns, um colunista do UOL, Maurício Santoro escreveu: “O medo diante do crime às vezes leva as pessoas a apoiarem a pena de morte como uma suposta solução mágica que as deixaria seguras. Isso é uma ilusão”.
Daí, o colunista continua, falando algo que, quem sabe, diminua a ocorrência de outros crimes como o que acabou com a vida de um jovem atleta: “O caminho rumo a políticas eficazes de segurança é longo e difícil e passa por medidas como a construção de forças policiais bem entrosadas com a comunidade, um judiciário eficiente e a eliminação de condições de pobreza e discriminação que fomentam a violência”.
