Ataques com drones ligados ao Irã atingem países do Golfo e provocam interrupções em voos em Dubai
Incêndio perto do aeroporto internacional levou à suspensão temporária de operações; ataques também foram registrados em Abu Dhabi e Fujairah
Uma série de ataques com drones atribuídos ao Irã provocou novos episódios de tensão no Golfo nesta segunda-feira (16), afetando operações aéreas em Dubai e deixando ao menos uma pessoa morta em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
O governo de Dubai informou que parte dos voos do Aeroporto Internacional de Dubai — um dos mais movimentados do mundo — precisou ser desviada após um drone atingir uma área próxima à instalação e provocar um incêndio em um tanque de combustível nas proximidades. Equipes da Defesa Civil conseguiram controlar as chamas e, segundo as autoridades, não houve feridos.
Algumas aeronaves foram redirecionadas para o Aeroporto Internacional Al Maktoum, também em Dubai. A Autoridade de Aviação Civil do emirado decidiu suspender temporariamente as operações no aeroporto principal “como medida de precaução” para garantir a segurança de passageiros e funcionários. As atividades foram retomadas gradualmente ao longo do dia.
Em Abu Dhabi, autoridades também responderam a um incidente envolvendo a queda de um míssil sobre um veículo civil na região de Al Bahyan. Um cidadão palestino morreu no local, segundo comunicado oficial.
Mais tarde, um novo ataque com drone provocou um incêndio em uma zona industrial de Fujairah, outro emirado dos Emirados Árabes Unidos. Equipes de emergência foram mobilizadas para conter as chamas, e não houve registro de feridos.
Os ataques ocorrem em meio à escalada militar iniciada após bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra Teerã em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã tem lançado drones e mísseis contra países do Golfo, alegando que a presença de bases militares americanas nesses territórios os torna alvos legítimos.
Apesar dessa justificativa, a ofensiva também tem atingido infraestrutura civil na região, incluindo aeroportos, portos, instalações petrolíferas e marcos urbanos.
Segundo autoridades dos Emirados Árabes Unidos, o país foi o mais atingido até agora, com mais de 1.800 mísseis e drones lançados pelo Irã desde o início do conflito. A maioria dos projéteis foi interceptada pelos sistemas de defesa aérea.
Ao todo, os países árabes do Golfo relatam mais de 2.000 ataques com drones e mísseis desde o início da guerra. Bahrein, Kuwait, Catar e Arábia Saudita também informaram ter interceptado drones e projéteis nos últimos dias.
Em conversa telefônica nesta segunda-feira, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, condenaram o que classificaram como “ataques iranianos” contra países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e reafirmaram o compromisso de defender seus territórios.
O GCC, juntamente com o Reino Unido e a Jordânia, divulgou uma declaração conjunta condenando a ofensiva e pedindo redução das tensões.
Enquanto isso, Israel anunciou uma nova onda de ataques contra Teerã. Segundo relatos de jornalistas no local, os bombardeios estão entre os mais intensos desde o início do conflito. Estima-se que mais de três milhões de pessoas tenham sido deslocadas dentro do Irã devido aos ataques, e quase 1.500 civis já morreram no país.
Impacto na aviação
O ataque próximo ao aeroporto de Dubai também provocou impacto imediato no tráfego aéreo da região. A companhia Emirates precisou redirecionar diversos voos após a suspensão temporária das operações no terminal.
Aeronaves que partiam de cidades como Manchester, Edimburgo e Dublin tiveram de retornar aos seus aeroportos de origem, enquanto outras foram desviadas para o aeroporto Al Maktoum.
Os ataques ocorrem em um momento em que companhias aéreas tentavam retomar gradualmente as operações após semanas de interrupções causadas pelo conflito. No domingo, a Emirates havia registrado 369 voos, cerca de 70% do volume normal antes da guerra.
A Etihad Airways, baseada em Abu Dhabi, também ultrapassou a marca de 100 voos em um único dia pela primeira vez desde o início da crise.
Mesmo com a retomada parcial das operações, o tráfego aéreo na região ainda enfrenta limitações severas. As aeronaves precisam operar em corredores estreitos de espaço aéreo, frequentemente monitorados por caças militares, o que exige planejamento detalhado e autorizações especiais para cada voo.