Combustíveis nos Emirados Árabes Unidos podem ficar mais caros em agosto após alta do petróleo

Aumento das tensões no Oriente Médio elevou o preço do barril e reduziu as chances de uma nova queda nos valores da gasolina e do diesel no país.

Por Lara Barth

Alteração nos preços da gasolina

Motoristas dos Emirados Árabes Unidos podem enfrentar uma possível alta nos preços dos combustíveis em agosto, após uma forte recuperação do mercado internacional de petróleo nas últimas semanas.

O barril do Brent voltou a subir e se aproximou dos US$ 90, enquanto o petróleo WTI ultrapassou os US$ 84. A alta apagou parte da queda registrada anteriormente, que havia permitido a redução dos preços dos combustíveis no país em julho.

No mês passado, os valores caíram para:

- Super 98: 3,40 dirhams por litro;
- Special 95: 3,29 dirhams por litro;
- E-Plus 91: 3,21 dirhams por litro;
- Diesel: 3,60 dirhams por litro.

Preço depende da média mensal

Nos Emirados Árabes Unidos, os preços da gasolina e do diesel são revisados mensalmente com base na média internacional do petróleo e dos combustíveis refinados.

Isso significa que a alta registrada em um único dia não determina o próximo reajuste. O que importa é o comportamento do mercado durante todo o mês de julho.

Caso o Brent permaneça próximo dos US$ 95 a US$ 100 até o fim do mês, a média mais alta poderá pressionar os preços dos combustíveis em agosto.

Por outro lado, se a alta recente perder força e o petróleo voltar para a faixa entre US$ 80 e US$ 85, o impacto para os consumidores poderá ser limitado.

Tensões no Oriente Médio impulsionam petróleo

A recente valorização do petróleo está ligada ao aumento das preocupações sobre a segurança do fornecimento global de energia.

Relatos de ataques contra navios-tanque sauditas reacenderam temores de possíveis interrupções em rotas estratégicas de transporte, incluindo áreas próximas ao Golfo e ao Mar Vermelho.

O mercado também voltou a avaliar os riscos geopolíticos após um período de maior expectativa de estabilidade na região.

No início do mês, o Brent chegou a cair para cerca de US$ 73 por barril diante da expectativa de melhora nas condições de transporte marítimo e avanços em negociações envolvendo Estados Unidos e Irã.

Cenário para agosto ainda é incerto

Antes da nova escalada de tensões, grandes instituições financeiras esperavam uma queda gradual do petróleo ao longo do segundo semestre de 2026.

A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) projetava o Brent abaixo de US$ 80 no terceiro trimestre e próximo de US$ 70 até o fim do ano.

Outros bancos, como Goldman Sachs e Morgan Stanley, também trabalhavam com previsões de preços mais baixos, considerando aumento da produção da Opep+ e redução dos riscos geopolíticos.

A nova instabilidade, porém, trouxe incerteza para essas projeções.

Possíveis cenários para os combustíveis

Cenário mais provável:
O petróleo recua após a reação inicial do mercado, e os preços dos combustíveis nos Emirados permanecem estáveis ou têm apenas um pequeno aumento.

Cenário de alta:
O barril permanece próximo de US$ 100, as preocupações com oferta aumentam e os combustíveis ficam mais caros em agosto.

Cenário de queda:
As tensões diminuem rapidamente, os problemas de transporte são limitados e o petróleo volta para a faixa dos US$ 80, mantendo os preços próximos aos de julho.

Para os motoristas dos Emirados, os principais fatores a acompanhar são o comportamento do Brent até o fim de julho, o impacto dos ataques às rotas marítimas e a decisão da Opep+ sobre os níveis de produção.

Apesar da recente alta, ainda não é possível afirmar que os combustíveis subirão em agosto. No entanto, caso o petróleo permaneça nos níveis atuais, a possibilidade de um reajuste para cima aumentou significativamente em comparação com a semana anterior.