Emissão em real é 'passo gigantesco' do Brasil, diz 'FT'

Por Gazeta Admininstrator

Dois dos jornais financeiros mais influentes do mundo, o Financial Times e o Wall Street Journal, destacam o bom momento da economia brasileira, apesar do escândalo de corrupção.
"Quando o Brasil finalmente vendeu seus primeiros bônus globais em sua própria moeda nesta semana, fez muito mais do que enfatizar a resistência dos investimentos brasileiros aos últimos quatro meses de turbulência política", diz o Financial Times.

"(O Brasil) deu um passo gigantesco na direção de reforçar seus mercados domésticos e sua economia."

Já o Wall Street Journal avalia que "o Brasil passa bem pelo escândalo" (de corrupção) e que a "ameaça (ao presidente Luiz Inácio Lula) da Silva não anuvia os mercados, a cotação do real ou o crescimento".

Incólumes

"Apesar do fluxo regular de notícias políticas horrendas, o real vem sendo negociado perto da cotação mais alta dos últimos 40 meses em relação ao dólar. A Bolsa de Valores subiu mais de 20% desde maio, batendo recorde nesta semana, e o risco país, acompanhado por investidores, caiu", diz o Wall Street Journal.

O jornal tenta explicar quais os motivos dessa resistência da economia brasileira.

"Em parte, o Brasil se beneficiou de uma combinação de liquidez abundante nos mercados financeiros globais e forte economia agrícola local que forneceu o conforto de um superávit comercial recorde", diz o artigo.

Além disso, segundo analistas ouvidos pelo jornal, o país vem "colhendo os frutos de uma série de mudanças institucionais que vêm sendo adotadas nos últimos 20 anos".

O Financial Times observa que muitos investidores vêem o escândalo como positivo.

O jornal cita um analista que diz que seria uma indicação da volta do governo de centro, do PSDB, nas próximas eleições, e que a crise também deve levar a reformas para fazer com que haja menos chances de esses escândalos ocorrerem.

Para outro analista citado pelo jornal, a emissão em reais no exterior trata das duas principais fragilidades da economia brasileira, os juros altos e os prazos de vencimento curtos da dívida interna.