Antes da projeção, Falabella apresentou o filme e compartilhou com o público a travessia até a direção cinematográfica.
Dirigir um filme era algo que, durante muito tempo, me parecia impossível. Mas eu queria contar essa história. Criar, entrar e inventar um novo mundo é fascinante, disse, sob aplausos.
Na manhã deste domingo (25), o diretor voltou a se encontrar com o público em uma conversa aberta, ampliando o diálogo sobre processo criativo, atuação e linguagem. Ao comentar sua trajetória no teatro e no cinema, Falabella relembrou experiências marcantes e a centralidade do corpo do ator na construção da cena. Hoje em dia pouca gente trabalha isso, o corpo do ator. É uma outra construção, outra postura, outro diafragma, outro enunciado, afirmou, ao evocar montagens teatrais dos anos 1980.
O encontro ganhou contornos de homenagem quando Falabella falou da emoção de integrar a mesma edição da mostra que o cineasta Júlio Bressane, com quem trabalhou em Cleópatra.
Isso não tem preço. Ele tem uma dimensão totalmente antinaturalista. Para quem vem da televisão, acostumado ao naturalismo, é um exercício poderoso: você precisa descobrir outra maneira de dizer aquilo, de dar credibilidade a um texto difícil, refletiu.
Falabella destacou ainda o caráter provocador desse cinema que exige do ator e do espectador um esforço ativo. É não pegar a pessoa pela mão o tempo todo. É exercitar a cabeça, resumiu, arrancando risos e concordâncias da plateia.
Com o tema Soberania Imaginativa, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes ocupa até 31 de janeiro a cidade histórica com uma programação gratuita que reafirma o festival como a primeira grande vitrine do calendário audiovisual brasileiro.
Confira a programação completa no site oficial da mostra.
*A repórter viajou a convite da organização do evento