Eu costumo falar que, independentemente de as pessoas gostarem ou não [dele], pela política, é preciso respeitar a história de uma pessoa que saiu lá do interior de Pernambuco, foi para São Paulo e hoje ocupa a maior cadeira desse país, disse em entrevista ao professor e historiador Leandro Silveira, que apresenta o quadro No Ritmo da Folia, no programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (FM 87,1 MHz ou AM 1130 kHz).
Para além da trajetória do político, o samba-enredo faz referência à melhoria das condições de vida da população ao longo dos três mandatos de Lula, como no combate à fome e na ampliação de acesso à educação.
A letra do samba ainda relembra o ex-deputado Rubens Paiva, a estilista Zuzu Angel, o jornalista Wladimir Herzog mortos pela ditadura militar (1964-1985) e o sociólogo Betinho (Hebert de Sousa) e seu irmão, o cartunista Henfil.
Outra referência do samba não é citada explicitamente. Parte do refrão tem os versos Olê, olê, olê, olá/Vai passar nessa avenida mais um samba popular, uma referência à letra do samba Vai passar, de Chico Buarque.
Fui eu que coloquei na letra. Eu queria que as pessoas lembrassem tanto do samba Vai passar, como se lembrassem do Chico Buarque, admite Teresa Cristina
Para a cantora, o Chico Buarque sempre esteve ao lado do Brasil. A gente sempre sabe que pode contar com ele, um artista que nunca se dobrou à bruta autoridade, à ditadura, a generais. O Chico é um homem muito corajoso.
Enredo recorrente
Essa não é a primeira vez que Lula vira enredo de escola de samba. Em 2012, a Gaviões da Fiel, agremiação de São Paulo, homenageou o presidente com o enredo Verás que um filho teu não foge à luta Lula, o retrato de uma nação. Em 2023, a Cidade Jardim, escola de samba de Belo Horizonte, desfilou com o enredo Sem medo de ser feliz.
Outros presidentes da República já foram homenageados. Getúlio Vargas já foi enredo da Mangueira (1956) em Exaltação a Getúlio Vargas ou o grande Presidente; do Salgueiro (1985), em Anos trinta, vento sul Vargas; e da Portela (2000), em Trabalhadores do Brasil a época de Getúlio. Juscelino Kubistchek, por sua vez, foi enredo da Mangueira (1981) em De Nonô a JK.
Lei Rouanet
O desfile da Acadêmicos de Niterói não será financiado pela Lei Rouanet de incentivo à cultura, diferentemente do que chegou a circular nas redes sociais. A escola chegou a receber em dezembro autorização da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura e da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura para captar até R$ 5,1 milhões para a apresentação. Em razão do prazo exíguo, a agremiação desistiu de tentar captar recursos.
A Lei Rouanet opera sem qualquer transferência de recursos do governo federal para projetos culturais. Produtores que têm suas propostas autorizadas, após análise técnica dos dois órgãos do Ministério da Cultura, podem tentar captar o valor autorizado junto a empresas e pessoas contribuintes do Imposto de Renda. Os eventuais patrocinadores podem abater o valor do financiamento do imposto devido até 4% se for empresa e até 6% se for pessoa física.
No dia 19 de janeiro, a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) assinaram um termo de cooperação técnica, com a interveniência do Ministério da Cultura (MinC), que permite o repasse de R$ 1 milhão para cada agremiação do grupo especial de escolas de samba do Rio um total de R$ 12 milhões a serem investidos neste carnaval.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói - Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense - Camaleônico;
- Portela - O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira - Mestre Sacacá do Encanto Tucuju o Guardião da Amazônia Negra
2º dia - segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel - Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- BeijaFlor de Nilópolis - Bembé do Mercado;
- Acadêmicos do Viradouro - Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca - Carolina Maria de Jesus.
3º dia - terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti - Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel - Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio - A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro - A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.