Saúde mental
Botar toda esta história de pé para contar da forma como o carnavalesco idealizou não é uma tarefa fácil, e vem sendo realizada pela dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes.
Embora seja o seu primeiro ano nesta função, Elisa não é uma desconhecida na Tijuca, onde já foi assessora de imprensa. A experiência no carnaval, no entanto, vai além dessas passagens. Até 2025, esteve por 10 anos na direção de alegorias da Portela.
Elisa disse que a nova missão é de muita responsabilidade, por ter que gerenciar o projeto, o barracão e a feitura de fantasias e alegorias. Apesar de já ter tido essa experiência na União de Jacarepaguá, ela agora tem a oportunidade de realizar o trabalho no Grupo Especial.
A coisa cresce muito. O Grupo Especial é muito forte. É o maior espetáculo da Terra, mas, para mim, está sendo um grande prazer, comentou.
Como método para melhorar as condições de trabalho dos profissionais que preparam o carnaval, Elisa trouxe uma novidade para os bastidores da Tijuca.
Eu introduzi uma equipe de psicólogos. Hoje, os artistas da escola têm esse cuidado, porque eu acredito que alguns segmentos têm uma pressão muito grande, contou,
Entre os que utilizam o serviço estão passistas, casal de mestre sala e porta-bandeira, responsáveis pelos ateliês e o setor administrativo da escola. De acordo com a diretora, é necessário ter esse momento de autocuidado, de parar tudo e prestar atenção em si mesmo, diante do trabalho para fazer tudo funcionar na avenida.
Estou tentando convencer o presidente a fazer também. Ele ainda não fez, mas disse que vai fazer, indicou.
Força da mulher
Elisa se orgulha de poder, no primeiro ano na função, ter pela frente um enredo em homenagem a Carolina Maria de Jesus. Eu, como uma mulher negra, no primeiro ano na direção de carnaval, pegar um enredo desse é um presente até difícil de explicar. Estou me matando para fazer jus a essa possibilidade que me foi dada.
Carolina é muito importante. Ela inspira outras mulheres a serem o que elas quiserem, porque Carolina não era só escritora. Ela também era cantora e compositora, eu também sou cantora e compositora, contou.
A escolha do enredo teve a sua participação, lembrou ela. Elisa chegou a defender o enredo diante do presidente da escola. Fui incisiva. Eu falei olha esse é o melhor que nós temos. Acredito que esse é um enredo que vai fazer a diferença, porque Carolina é muito grande.
Para a diretora de carnaval, a escritora representa a força de todas as mulheres e também sua versatilidade.
Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói - Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense - Camaleônico;
- Portela - O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira - Mestre Sacacá do Encanto Tucuju o Guardião da Amazônia Negra
2º dia - segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel - Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- BeijaFlor de Nilópolis - Bembé do Mercado;
- Unidos do Viradouro - Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca - Carolina Maria de Jesus.
3º dia - terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti - Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel - Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio - A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro - A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.