Em 1991, quando o marido morreu, Wanda batizou a companhia de Zanchettini para homenageá-lo.
O pai a acompanhou nessa trajetória, como artista e palhaço. Somos dez filhos, cinco mulheres e cinco homens, e a gente foi nascendo e crescendo em barracas em volta do circo, revelou Erimeide, que foi trapezista, cantora, acrobata, atriz, entre outras coisas.
Apesar dos apertos, ela contou que a convivência em família sempre foi boa entre os irmãos Edlamar, Erimeide, Márcia Aparecida, Solange Maria, Áurea, Silvio Marcos, Sérgio, Jaime, Márcio e Amauri.
É uma luta difícil e continua sendo para todos os circenses, muito trabalhosa, mas com a união dos irmãos, mãe, pai e agregados, a gente teve sempre uma vida feliz em circo, que é nossa grande paixão, nosso amor, pontuou Erimeide.
Gerações
A renovação no circo familiar é constante e, atualmente, a geração mais nova já faz parte do elenco do Zanchettini.
Os mais novos vêm chegando, e a gente vai repassando toda a história do circo, com suas nuances. Tem uma sabedoria muito forte dentro do circo, um linguajar nosso. Tudo tem um propósito, observou a apresentadora.
Os mais jovens da família estão mantendo a tradição e fazem suas carreiras profissionais no circo. Entre os sobrinhos, o único que saiu do Zanchettini foi para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para trabalhar também como artista circense.
É de geração em geração. Vem da minha avó, minha mãe, meu pai, nossa família toda. Dez irmãos caminhando pelo mundo afora, montando e desmontando circo, enfrentando estradas, fazendo espetáculos, ensaiando, pegando terrenos cheios de barro e outros bonitos. É uma história muito longa de uma vida toda, acrescentou Erimeide.
Dificuldades
Nas viagens a vários estados do Brasil e até fora do país, como o Paraguai, Argentina e Bolívia, Edlamar disse que uma das dificuldades do circo tradicional é a concorrência com apresentações de celebridades e shows gratuitos.
Esses não têm o circo tradicional brasileiro, do palhaço da cara pintada, do trapézio, do globo da morte, do malabarismo, do contorcionismo. A gente leva o tradicional. Não temos personagens, não temos celebridades de TV, não temos dinossauros. Nós somos raiz, afirmou.
Outra questão são os custos, como impostos e taxas cobradas pelo Poder Público. "Eles nos cobram como se fôssemos edificados, uma farmácia, um supermercado ou nos cobram como evento grande, não como cultura, reclamou a administradora. A prefeitura cobra o uso de solo, e a gente paga tudo adiantado. Se chover, a prefeitura já ganhou, e a gente, não.
Os obstáculos são os mesmos enfrentados por muitos circos familiares do Brasil, e Edlamar lamentou que muitos circos pequenos e tradicionais lidam com dificuldades ainda maiores por não serem famílias tão numerosas.
A gente já passou por vários tipos de falência, recuperamos tudo e recomeçamos de novo. É um amor tão forte e um sentimento poderoso pelo circo que a gente não sabe de onde vem. A gente não conseguiria viver longe do circo, pontuou Erimeide.
A expectativa de Edlamar é que esse cenário de dificuldade financeira mude após o reconhecimento.
Fica mais fácil falar com o prefeito para ver o que ele pode fazer dentro do regulamento do Iphan. Seja um preço menor, um terreno da prefeitura gratuito. Esse reconhecimento não é qualquer um que tem e será de grande valia para nós, avaliou.