Com baixo investimento em educação pública, Flórida luta para melhorar o sistema de ensino

Bilhões de dólares em financiamento escolar estão sendo analisados e podem mudar a realidade da educação pública

Por Arlaine Castro

O salário médio dos professores na Flórida caiu 11%, ajustado pela inflação, nos últimos anos, segundo a Associação de Educação.

Com o início da sessão legislativa de 2020, milhares de professores ocuparam a capital do estado, Talahassee, para exigir melhores salários e mais investimento para a educação. O salário médio de professores da Flórida, de US $ 48.168 em 2018, ficou em 46º no país, de acordo com relatório da Associação Nacional de Educação.

Além disso, a Flórida está entre os dez estados cujos financiamentos para estudantes são os mais baixos e o investimento estadual para a educação não subiu acima dos níveis pré-recessão há 10 anos, segundo a Associação de Educação da Flórida.

O presidente da Associação estadual, Fedrick Ingram, disse ao Sun Sentinel que é fundamental que os legisladores ouçam as vozes dos professores nessa nova sessão legislativa. "No início do último ano letivo, 3.000 salas de aula não tinham um professor certificado", afirmou Ingram. "Em agosto passado, mais de 300.000 estudantes começaram as aulas sem um professor permanente em tempo integral", acrescentou.

Salário médio

de US$ 40.000

De acordo com a Associação, o salário médio dos professores na Flórida de cerca de US $ 40.000 é baixo e "muitos funcionários da educação ganham um salário abaixo da linha de pobreza federal".

O estado tem mais de 172.000 professores de escolas públicas, de acordo com o Departamento de Educação da Flórida. O salário médio dos professores na Flórida caiu 11%, ajustado pela inflação, nos últimos anos. Por isso, com o intuito de mudar esse quadro, milhares de professores, juntamente com outros profissionais da educação, organizações e sindicatos estão pressionando os legisladores para votarem o aumento de salário e melhorias na carreira.

Proposta do Senado

Todos os professores de escolas públicas da Flórida, assim como outros profissionais da educação, receberiam aumentos de 7,5% sob uma nova proposta dos democratas que está em votação no Senado da Flórida.

O projeto de lei dos democratas (SB 1854), apresentado na segunda-feira, 13, busca um aumentos de 4,5% e ajustes de custo de vida de 3% para professores e outros funcionários da rede escolar, como conselheiros, bibliotecários e motoristas de ônibus.

O plano de aumento começaria no próximo ano letivo e continuaria gradualmente até 2028-29.

Proposta do

governador

Já sob a proposta do governador Ron DeSantis, o orçamento proposto para 2020 inclui um investimento de US$ 600 milhões que aumentaria os salários iniciais dos professores de US$ 37.636 para US$ 47.500.

Além disso, o governo propôs um programa de bônus de US$ 300 milhões no qual todos os professores poderiam se qualificar, caso suas escolas apresentem ganhos com a fórmula estadual de classificação A-F.

Profissão por amor

"Independente do país de residência, quem é professor, não está nesta profissão pelo salário. Está nesta profissão porque ama ensinar e fazer diferença na vida dos outros. O salário de um professor iniciante na Flórida nos condados de Miami-Dade, Palm Beach e Broward está por volta de $41.000 dólares anualmente. A média de salário nestes condados é de $50.000 à $64.000 chegando a um topo de $73.000. O salário do professor pode ser maior do que o apresentado aqui, dependendo de vários fatores importantes que incluem educação,especializações, tempo de serviço ,etc", explica Anete Arslanian, professora na Miami Beach Senior High School.

O pagamento inicial nas escolas públicas da Flórida varia de acordo com o distrito, mas são cerca de US$ 40.000 na maioria dos sistemas escolares. A média estadual para pagamento inicial é inferior a US$ 38.000, de acordo com o governo estadual, abaixo do salário médio inicial nacional de cerca de US$ 39.000.

O que pede a

Associação dos

Professores da FL

Para combater essa defasagem no sistema público de ensino, os membros da Associação defendem um projeto que chamam de uma "Década de Progresso", que inclui uma "infusão de US$ 2,4 bilhões por ano" para financiamento da educação para cada um dos próximos 10 anos que permitirá que todos os funcionários de escolas públicas recebam um aumento de 10%.

Mãe de dois alunos de escola pública em Orlando, Luciana Cardoso concorda que o salário mínimo estadual é muito baixo em diversas áreas, inclusive para os professores, e que, apesar de estar satisfeita com o sistema de ensino público, uma melhora nos salários vai refletir na qualidade da educação.

"Nos últimos anos o custo de vida aumentou e a hora trabalhada não teve reajuste. Eu acho que eles realmente têm que aumentar o salário dos professores. Logicamente isso interfere na qualidade da educação e na satisfação dos profissionais", destaca.