El Niño pode aumentar furacões no Pacífico e reduzir atividade no Atlântico em 2026

Fenômeno climático altera condições atmosféricas e influencia diretamente a temporada de furacões nos dois oceanos

Por Lara Barth

Erick quebra recordes e se torna o primeiro grande furacão do Pacífico em 2025

O fortalecimento do fenômeno climático El Niño deve impactar diretamente a temporada de furacões de 2026, aumentando a atividade no Oceano Pacífico e reduzindo as condições favoráveis para tempestades no Atlântico, segundo especialistas em meteorologia.

A mudança ocorre justamente no início oficial da temporada de furacões do Pacífico Oriental, que começou nesta sexta-feira, 15 de maio.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, criando um ambiente mais favorável para a formação e fortalecimento de ciclones tropicais.

Além das águas mais quentes — consideradas o principal combustível para furacões — o fenômeno também reduz o chamado “cisalhamento vertical do vento”, que representa mudanças na direção e intensidade dos ventos em diferentes altitudes da atmosfera.

Com menos interferência dos ventos, tempestades tropicais conseguem se organizar melhor e manter sua estrutura por mais tempo, aumentando as chances de desenvolvimento de furacões mais fortes no Pacífico.

Enquanto isso, o impacto do El Niño no Oceano Atlântico costuma ser o oposto.

O fenômeno favorece águas relativamente mais frias e aumenta o cisalhamento do vento na região, dificultando a formação e o fortalecimento de sistemas tropicais.

Especialistas alertam, no entanto, que isso não significa ausência de furacões no Atlântico, mas sim uma tendência estatística de atividade abaixo da média.

A última ocorrência de El Niño aconteceu em 2023. Desde então, o planeta vinha sob influência do fenômeno La Niña, associado a temporadas mais intensas de furacões no Atlântico nos últimos anos.

Na temporada de 2023, sob influência do El Niño, o Pacífico Oriental registrou 20 sistemas tropicais, sendo 17 tempestades nomeadas.

Um dos eventos mais marcantes daquele ano foi o furacão Hilary, que atravessou a região da Baja California e chegou aos Estados Unidos já como tempestade tropical, causando impactos em estados como Califórnia, Arizona e Nevada.

Segundo dados oficiais, Hilary provocou três mortes e mais de US$ 900 milhões em prejuízos nos EUA e no México.

Já durante a temporada de 2025, ainda sob influência da La Niña, o Pacífico registrou 18 sistemas tropicais.

O destaque foi o furacão Kiko, que avançou em direção ao Havaí antes de perder força sobre águas mais frias e se dissipar ao norte das ilhas.

Para a temporada de 2026, os primeiros nomes da lista oficial de tempestades do Pacífico Oriental serão Amanda, Boris, Cristina e Douglas.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) continuará monitorando diariamente possíveis formações tropicais durante toda a temporada.

Fonte: CBS