Chefe interino da FEMA diz que agência está pronta para temporada de furacões nos EUA

Apesar de cortes, falta de funcionários e pressão política, agência federal garante preparação para enfrentar desastres em 2026

Por Lara Barth

FEMA

Às vésperas do início oficial da temporada de furacões no Atlântico, marcado para 1º de junho, a Agência Federal de Gestão de Emergências dos Estados Unidos (FEMA) tenta transmitir confiança em meio a críticas sobre falta de pessoal, cortes internos e mudanças na política federal de resposta a desastres.

Durante um exercício de preparação realizado na sede da FEMA, em Washington, o administrador interino Bob Fenton afirmou que a agência está pronta para enfrentar a temporada de tempestades deste ano.

“Nós estamos prontos para a temporada de furacões. Isso faz parte do nosso DNA”, declarou Fenton em entrevista à CBS News.

O treinamento simulou a chegada de um furacão de categoria 2 próximo à Louisiana e reuniu representantes da FEMA, Guarda Nacional, Cruz Vermelha Americana, Guarda Costeira, Exército da Salvação e autoridades estaduais e locais.

A declaração acontece em um momento delicado para a agência federal. Segundo democratas do Comitê de Segurança Interna da Câmara, a FEMA perdeu mais de 5 mil funcionários desde janeiro de 2025 e quase metade dos principais cargos de liderança seguem vagos.

Além disso, um relatório do Government Accountability Office apontou anteriormente que apenas 12% da força operacional da agência estava disponível no início da preparação para a temporada deste ano.

Fenton, no entanto, afirmou que os números atuais melhoraram e disse que cerca de 30% da força de trabalho de resposta a desastres está pronta para atuação imediata — percentual considerado normal pela agência.

“Temos uma equipe muito experiente”, afirmou.

Agência ainda tenta se recuperar após paralisação

O administrador reconheceu que a FEMA ainda enfrenta consequências da longa paralisação parcial do governo federal e das restrições orçamentárias enfrentadas nos últimos meses.

Segundo ele, a interrupção afetou treinamentos, coordenação entre agências e programas de preparação nacional.

“Estamos correndo atrás do prejuízo, mas conseguimos recuperar rapidamente”, disse.

A FEMA também enfrentou dificuldades financeiras recentemente após o Fundo de Assistência a Desastres atingir níveis críticos, obrigando a agência a limitar gastos apenas para necessidades consideradas urgentes.

Temporada de furacões e Copa do Mundo pressionam estrutura

Além da temporada de furacões, a FEMA também se prepara para apoiar operações ligadas à Copa do Mundo da FIFA, que exigirá grande mobilização de segurança e gerenciamento de emergências em diversas cidades americanas.

Segundo Fenton, milhões de dólares em recursos para preparação local foram atrasados devido à paralisação do governo.

“Desastres não esperam. Furacões, incêndios, enchentes e outros eventos podem acontecer ao mesmo tempo”, afirmou.

Uso de inteligência artificial começa a ser testado

A FEMA também anunciou que começou a testar ferramentas de inteligência artificial para agilizar atendimentos a vítimas de desastres.

Segundo Fenton, a tecnologia poderá ajudar funcionários a localizar informações mais rapidamente e melhorar o sistema de assistência individual para sobreviventes de emergências.

Ele afirmou que os testes utilizam sistemas internos do Departamento de Segurança Interna e garantiu que dados pessoais não serão compartilhados em plataformas públicas.

FEMA reforça importância do seguro residencial

Durante a entrevista, Fenton também alertou que muitas pessoas ainda acreditam que a FEMA cobre integralmente prejuízos causados por desastres naturais — o que não acontece.

Segundo ele, a ajuda federal serve apenas para necessidades emergenciais, como abrigo temporário e condições básicas de sobrevivência.

O valor médio pago pela FEMA nos últimos cinco anos foi de cerca de US$ 6 mil por pessoa.

“A melhor forma de proteção continua sendo o seguro”, afirmou.

Fenton também incentivou moradores de áreas de risco a contratar seguro contra enchentes o quanto antes, lembrando que muitas apólices possuem prazo de carência de até 30 dias antes de entrarem em vigor.

Apesar das incertezas sobre possíveis mudanças futuras no papel da FEMA, o administrador garantiu que a agência continuará preparada para responder aos desastres.

“Olhe ao seu redor. Estamos aqui. Estamos treinando. Estamos nos preparando para o próximo evento”, concluiu.

Fonte: CBS