Atlântico bate recorde de 60 anos sem registrar furacão

Nenhum furacão se formou desde o início da temporada de 2026, em junho; fenômeno El Niño ajuda a explicar a atividade abaixo do normal

Por Lara Barth

A temporada de furacões no Atlântico de 2024 tem 80% de chance de pelo menos dois furacões atingirem os EUA.

A temporada de furacões de 2026 no Atlântico atingiu um recorde histórico de calmaria. Até 15 de setembro, nenhum furacão havia se formado na bacia do Atlântico, marcando o período mais longo sem um furacão desde pelo menos 1966, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Embora a maior parte da atividade normalmente ocorra em setembro e outubro, é incomum chegar à metade de setembro sem nenhum furacão. Desde 1966, o recorde anterior de início mais tardio de um furacão era 11 de setembro, registrado em 2002 e 2013.

Até agora, cinco tempestades tropicais se formaram na temporada: Arthur, Bertha, Cristobal, Dolly e Edouard. Para uma tempestade tropical receber um nome, seus ventos precisam atingir 39 milhas por hora (cerca de 63 km/h). Ela passa a ser classificada como furacão quando os ventos chegam a 74 mph (119 km/h).

A NOAA já havia previsto uma temporada abaixo da média. A estimativa apontava entre sete e 13 tempestades nomeadas, incluindo de dois a seis furacões e até dois furacões de grande intensidade, de categoria 3 ou superior.

O papel do El Niño

Um dos principais fatores por trás da baixa atividade é o El Niño, fenômeno climático que altera as temperaturas do oceano e os padrões de vento em diferentes regiões do planeta.

No Atlântico, o El Niño tende a favorecer águas relativamente mais frias e aumentar o chamado cisalhamento vertical do vento — mudanças na velocidade e na direção dos ventos em diferentes altitudes. Essas condições dificultam a organização e o fortalecimento dos sistemas tropicais.

Segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA, o El Niño deveria se intensificar ao longo da temporada de 2026, inclusive durante o período de maior atividade normalmente registrado no Atlântico.

Eventos anteriores de El Niño com intensidade semelhante, desde 1950, também coincidiram com temporadas de furacões abaixo ou próximas da média no Atlântico.

Apesar do recorde de calmaria até agora, a temporada ainda não terminou. O período de maior atividade costuma ocorrer em setembro e outubro, o que significa que as condições podem mudar rapidamente nas próximas semanas.

Fonte: CBS