Gestão da criatividade e redução da fantasia - Ponto de Vista

Por Gazeta News

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Estranho? Não! Prático. Na sua empresa, preste atenção e verá que não faltarão momentos de muita criatividade e também de fantasia.

Digamos que você seja um fabricante de vassouras e um dos membros da equipe tem um projeto muito interessante para construir uma asa-delta. E tem insistido em levar em frente o empreendimento. O que isso tem a ver com o seu negócio? Certamente, nada!

Por que você investiria seu capital nessa ideia? Bom, esse é um caso extremo. Há outros não tão evidentes, mas que, se não tratados com o devido cuidado, tomarão tempo das equipes e sugarão seu dinheiro.

Pensemos: A empresa tem um bom sistema de gestão - ERP -, mas um dos gestores não gosta do modelo dos relatórios. Veio de outra empresa cheio de ideias e energia, e quer mudar tudo.

Abandonou os recursos que tem atendido a todos e migrou para as planilhas eletrônicas. O descontentamento é geral, e os conflitos estão na mesa.

Poderíamos desenhar o cenário inverso. O software de gestão é excelente, mas foi implantado apenas 30% dos recursos. Com isso, pouco é utilizado. Nas três tentativas de implantação, os usuários só experimentaram frustrações. Não há uma equipe preparada e disposta a abraçar o projeto. A direção cancelou qualquer tipo de investimento por desencantamento e falta de confiança.

Um dos gestores está desenvolvendo planilhas eletrônicas para suprir as necessidades, mas não encontra apoio para o empreendimento.

Estes cenários colocam na mesa a criatividade. Criatividade em negócios precisa gerar resultados.

E, resultados em negócios são materializados pelos lucros e superávits de caixa. O tempo é relativo, sim. Pode ser no curto, médio ou longo prazos, mas isso precisa ser premissa para investimento. Não pode ser fruto do acaso.

A fantasia é a armadilha da criatividade. Seu efeito ilusório engana e muito.

Pode parecer contraditório, mas a gestão competente da criatividade carrega muita racionalidade.

É fato sim, que muitas empresas perderam grandes oportunidades por não aproveitarem ideias geradas ali mesmo, e outras que as abraçaram cresceram em escala geométrica.

Trabalhar em equipe, desenvolver a disposição para ouvir e ver, ir ao mercado para respirar “ar novo”, sempre ajudam a tomar decisões. Mas, não abraçar uma ideia e deixar de ganhar é melhor que abraçar e perder.

Gestores de alta performance trabalham no limite de suas competências e é importante reconhecer que nem sempre estamos preparados para tudo. Em alguns locais, teremos criadores quase imbatíveis, que lideram mercados por décadas. Em outros, os bastões trocam rapidamente de mãos. Isso com brutal concorrência.

Por isso, a criatividade nem sempre produz capas que nos tornam super-heróis capazes de voar. Em muitos momentos, nos deparamos com pura fantasia!

*Ivan Postigo é diretor de gestão empresarial, articulista, escritor e palestrante. Twitter: @ivanpostigo