A juíza federal Sara Ellis, do Distrito Norte de Illinois, afirmou nesta quinta-feira (9) estar “profundamente preocupada” com a conduta de agentes federais em Chicago, após supostas violações de uma ordem judicial que restringe o uso de gás lacrimogêneo e armas de controle de distúrbios contra jornalistas e manifestantes. Ellis determinou que Russell Hott, diretor do escritório local de campo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), compareça ao tribunal na segunda-feira para prestar depoimento.
A magistrada também ampliou a ordem temporária para obrigar que agentes federais equipados com câmeras corporais as usem e mantenham ligadas durante qualquer operação de aplicação da lei em Chicago. A decisão veio após uma série de incidentes recentes, incluindo um episódio na terça-feira (7), no qual agentes da Patrulha de Fronteira perseguiram um suspeito em um bairro residencial, provocando um acidente de carro e, em seguida, disparando gás lacrimogêneo contra moradores que se aproximaram do local.
Durante o incidente, um cidadão norte-americano de 19 anos, Warren King, foi detido por engano. Ele relatou que saía de uma loja quando foi jogado ao chão e levado por agentes, apesar de ter apresentado sua documentação. “Todos têm de respeitar suas obrigações constitucionais”, disse Ellis. “Estou profundamente preocupada com o que tem ocorrido desde que emiti essa ordem.”
O advogado do Departamento de Segurança Interna (DHS), Sean Skedzielewski, argumentou que a juíza estaria baseando suas conclusões em informações imprecisas da imprensa, mas não apresentou novos detalhes. Ele ainda alegou que nem todos os agentes possuem câmeras corporais e que a falta de verbas devido à paralisação do governo dificulta a implementação do programa.
A ordem judicial decorre de uma ação movida por jornalistas e líderes religiosos, que acusam agentes federais de “atirar, prender e usar gás” contra pessoas que exerciam direitos constitucionais de protesto e imprensa.
O governador de Illinois, JB Pritzker, apoiou a decisão da juíza, dizendo que os agentes estão “criando caos” e que as câmeras são essenciais para garantir transparência. “Esses agentes claramente mentem sobre o que acontece”, afirmou.
Casos semelhantes vêm se acumulando em Chicago: uma funcionária da emissora WGN-TV foi detida e algemada por engano, e uma mulher baleada por agentes da Patrulha de Fronteira no sudoeste da cidade negou as acusações de agressão. Advogados de defesa alegam que vídeos de câmeras corporais contradizem a versão apresentada pelo governo, incluindo gravações em que um agente teria provocado a motorista antes de abrir fogo.
Fonte: ABC

