Juíza restringe uso de força por agentes de imigração em Chicago após comandante mentir sobre uso de gás lacrimogêneo

Border Patrol admitiu ter falsamente alegado ataque com pedras para justificar ação durante protesto; vídeo desmentiu versão oficial

Por Lara Barth

Ação do ICE em Chicago termina com detenções e protestos de ativistas

A juíza federal Sara Ellis, do Distrito Norte de Illinois, emitiu nesta quinta-feira (6) uma ordem judicial que limita o uso de força por agentes de imigração em Chicago, após constatar que um comandante da Patrulha de Fronteira mentiu sobre um incidente em que lançou gás lacrimogêneo contra manifestantes.

O caso envolve o comandante Greg Bovino, responsável por liderar a operação “Midway Blitz”, uma ofensiva da administração Trump contra imigrantes iniciada em setembro. Em audiência, a magistrada afirmou que Bovino admitiu ter mentido ao declarar que foi atingido por uma pedra antes de disparar o gás. Segundo vídeos apresentados no tribunal, ele só foi atingido depois de lançar o artefato, contrariando a versão divulgada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

“O vídeo mostra claramente que o comandante lançou o gás sem qualquer aviso prévio, violando minha ordem anterior de restrição sobre o uso de força”, declarou a juíza.

Na ocasião, o DHS havia defendido a ação de Bovino, alegando que os agentes foram atacados por manifestantes que atiraram pedras, garrafas e outros objetos contra uma viatura que transportava imigrantes detidos. “Os agentes agiram conforme o treinamento e as políticas da agência”, disse na época a secretária assistente Tricia McLaughlin.

Após a decisão judicial, o DHS divulgou uma nota classificando a liminar como “um ato extremo de uma juíza ativista que coloca em risco a vida dos agentes federais” e anunciou que vai recorrer.

Durante a audiência, a juíza Ellis também mencionou outros episódios de uso excessivo de força** por parte dos agentes federais, incluindo o lançamento de granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos e jornalistas próximos ao centro de detenção de Broadview, em 19 de setembro. “Isso coloca em dúvida toda a narrativa apresentada pelos réus sobre suas operações em Chicago”, concluiu a magistrada.

Apesar das evidências, Bovino defendeu sua conduta em depoimento, afirmando acreditar que “todas as ações dos agentes foram exemplares” durante a operação.

Fonte: ABC