Influencers e modelos do OnlyFans impulsionam alta em vistos para "artistas extraordinários" nos EUA
Criadores digitais passam a disputar um espaço antes dominado por músicos, atores e performers; dados e ganhos nas redes ajudam a comprovar "talento excepcional"
Influenciadores digitais e modelos do OnlyFans estão se tornando um dos principais grupos a solicitar o visto norte-americano O-1B — uma categoria criada para artistas com "habilidade extraordinária". Segundo advogados de imigração, os pedidos vindos de criadores online dispararam desde a pandemia de Covid-19, mudando o perfil de quem consegue se enquadrar nessa autorização.
O visto O-1 é destinado a pessoas com capacidade excepcional nas áreas de artes, ciências, negócios, educação ou esportes. Profissionais ouvidos pelo Financial Times afirmam que, hoje, os influenciadores já representam uma fatia relevante de seus clientes. Um dos motivos é que métricas como número de seguidores, visualizações e faturamento são facilmente comprováveis — diferentemente de conquistas tradicionais do mundo artístico.
Essa tendência representa uma mudança em relação a décadas anteriores, quando o O-1 era associado sobretudo a músicos, atores e artistas reconhecidos.
De acordo com advogados e agentes de talentos, o número de influenciadores aprovados no O-1B cresceu de forma acentuada após a pandemia. Alguns escritórios relatam que mais da metade de seus processos atuais envolve criadores de conteúdo. O desempenho nas redes sociais ajuda a demonstrar impacto e relevância profissional.
Dados do governo mostram que o total de vistos O-1 emitidos anualmente aumentou mais de 50% entre 2014 e 2024 — somando tanto o O-1B (para artistas) quanto o O-1A (para ciência, negócios e outras áreas). No mesmo período, o volume geral de vistos temporários cresceu cerca de 10%.
Ainda assim, o O-1 continua representando uma parcela pequena do sistema migratório americano: menos de 20 mil concessões em 2024, número muito inferior ao dos vistos H-1B para trabalhadores qualificados. Em setembro, o então presidente Donald Trump introduziu uma taxa única de US$ 100 mil para novas petições de H-1B, medida que reacendeu debates sobre imigração e mercado de trabalho.
A categoria O-1B tem raízes em disputas mais antigas. Quando as autoridades tentaram deportar John Lennon em 1972, não havia um visto específico para artistas. O Congresso criaria essa modalidade apenas em 1990, com a aprovação do Immigration Act.
Agora, segundo especialistas, as regras vêm sendo reinterpretadas para acomodar o universo digital. Grandes audiências e alto faturamento demonstram sucesso comercial; parcerias com marcas funcionam como "apoios" e credenciais; e aparições públicas ligadas ao trabalho online podem ser consideradas papéis de destaque.
