"Não vi o ICE agir fora da política", diz czar da fronteira ao negar acusações de força excessiva

Tom Homan defende atuação de agentes de imigração após morte de mulher em operação em Minneapolis e vídeos de ações violentas circularem nas redes

Por Lara Barth

Thomas Homan, 'Czar da Fronteira'

O czar da fronteira do governo Trump, Tom Homan, afirmou não ter visto exemplos claros de uso excessivo de força por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A declaração foi feita em entrevista ao CBS Evening News, no mesmo dia em que um agente do ICE matou a tiros uma mulher de 37 anos em Minneapolis.

Homan, que foi diretor interino do ICE no primeiro mandato de Trump, disse que, até onde sabe, os agentes têm atuado dentro das diretrizes oficiais. “Eu não vi o ICE agir fora da política. Se alguém estiver agindo fora da política, eu não tenho conhecimento disso. Haverá investigação e essas pessoas serão responsabilizadas”, afirmou.

Nos últimos meses, desde o início da ofensiva do governo Trump contra imigrantes em situação irregular, diversos vídeos circularam mostrando ações agressivas de agentes federais. As imagens incluem uma mãe sendo derrubada no chão durante uma abordagem, uso de gás lacrimogêneo em um bairro residencial de Chicago, vidros de carros quebrados para retirar motoristas à força e até o uso de estrangulamentos contra manifestantes.

Questionado pelo âncora Tony Dokoupil sobre essas gravações, Homan evitou comentar o caso específico de Minneapolis, alegando que há uma investigação em andamento. “Não vou emitir um julgamento com base em um único vídeo. Eu não estava no local, não vi imagens de câmeras corporais. Seria antiético comentar antes do fim da investigação”, disse.

Dokoupil insistiu que muitos americanos, ao assistirem aos vídeos, contestariam a versão apresentada por Homan. Ainda assim, o czar da fronteira afirmou confiar na conduta dos agentes. “E, se não agirem corretamente, serão responsabilizados”, reforçou.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, Homan afirmou que o episódio em Minneapolis é “mais um exemplo trágico” do impacto de uma retórica que, segundo ele, incentiva ataques contra agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira. Ele também destacou que os agentes têm direito à legítima defesa.

De acordo com diretrizes federais do Departamento de Segurança Interna (DHS), o uso da força só é autorizado quando “não houver alternativa razoavelmente eficaz, segura e viável”.

Trump já declarou publicamente que as operações do ICE “não foram longe o suficiente”. Em entrevista ao *60 Minutes*, em novembro, afirmou apoiar táticas duras porque, segundo ele, “é preciso tirar essas pessoas do país”, apesar de dados mostrarem que muitos dos imigrantes detidos e deportados não têm antecedentes criminais.

Fonte: CBS