Democratas da Câmara questionam governo Trump sobre possível contratação de envolvidos no 6 de Janeiro pela ICE
Parlamentares pedem documentos para saber se réus perdoados pelo ataque ao Capitólio foram contratados pela agência de imigração
Deputados democratas da Câmara dos Representantes solicitaram ao governo do presidente Donald Trump informações sobre a possível contratação, pela agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), de pessoas envolvidas no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 que receberam perdão presidencial.
Em uma carta de três páginas enviada na segunda-feira à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e à procuradora-geral, Pam Bondi, e obtida pela CBS News, o deputado Jamie Raskin, principal representante democrata no Comitê Judiciário da Câmara, pediu acesso a todos os “registros, documentos, memorandos e comunicações internas” relacionados à contratação de pessoas investigadas ou acusadas por ações ligadas à invasão do Capitólio.
Os democratas afirmam que ainda não está claro quantos réus do 6 de Janeiro teriam sido convidados a integrar o atual governo, incluindo agentes do Departamento de Segurança Interna que atuam mascarados. Embora não haja confirmação de que a ICE tenha contratado participantes do ataque, a agência passa por uma rápida expansão, impulsionada por um aporte de US$ 75 bilhões aprovado pelo Congresso no ano passado, que pode permitir a contratação de milhares de novos agentes.
Raskin argumenta que eventuais contratações poderiam passar despercebidas, já que agentes da ICE costumam ocultar suas identidades. “Quem está por trás dessas máscaras?”, questionou o parlamentar, que integrou a comissão especial que investigou o ataque ao Capitólio.
O pedido ocorre em meio a críticas ao perdão concedido por Trump a mais de 1.500 envolvidos nos distúrbios, decisão que democratas e vítimas do ataque dizem incentivar a violência política. Trump, por sua vez, afirma que muitos dos perdoados eram inocentes ou cometeram infrações menores.
A carta também cita o caso de Jared Wise, ex-funcionário do FBI e réu do 6 de Janeiro que, após ser perdoado, assumiu um cargo de assessor no Departamento de Justiça. Segundo Raskin, Wise teria participado de esforços para pressionar servidores que atuaram na responsabilização dos envolvidos no ataque.
Fonte: CBS