EUA registram migração líquida negativa pela primeira vez em 50 anos, aponta relatório

Queda no número de entradas no país, após endurecimento das políticas migratórias do governo Trump, é o principal fator do resultado em 2025

Por Lara Barth

Fronteira entre México e Arizona

Os Estados Unidos registraram, em 2025, migração líquida negativa pela primeira vez em pelo menos meio século, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Brookings Institution. O resultado é atribuído principalmente à forte queda no número de pessoas entrando no país, em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.

De acordo com o estudo, o saldo migratório líquido no ano passado ficou entre -295 mil e -10 mil pessoas. Os autores afirmam que, apesar das incertezas políticas, a tendência de migração líquida negativa deve continuar em 2026.

O relatório aponta que a mudança decorre da combinação entre a redução expressiva nas entradas, o aumento das ações de fiscalização e o crescimento das remoções e saídas voluntárias. A suspensão de diversos programas humanitários — incluindo a maior parte dos programas de reassentamento de refugiados, com exceção de casos envolvendo sul-africanos brancos — e a queda na concessão de vistos temporários também contribuíram para o cenário.

Os pesquisadores estimam entre 310 mil e 315 mil remoções em 2025, número inferior ao divulgado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), que afirma ter removido mais de 600 mil pessoas. Segundo o estudo, esse total é apenas ligeiramente superior às cerca de 285 mil remoções registradas em 2024.

Diferentemente do ano anterior, a maioria das remoções em 2025 teria sido iniciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) no interior do país, e não pelo ICE, apesar de este último ter dominado o noticiário. O relatório também prevê aumento das remoções em 2026, impulsionado por novos recursos previstos na chamada One Big Beautiful Bill Act.

Fonte: ABC