Recrutador militar incentiva alunos de escola em Minneapolis a se alistarem para proteger familiares do ICE
E-mail cita operações de imigração e destaca programa que pode oferecer proteção temporária contra deportação, gerando críticas e acusações de abordagem predatória
Um recrutador militar em Minnesota usou o temor em torno das operações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) em Minneapolis para incentivar estudantes do ensino médio a se alistarem na Guarda Nacional. Em um e-mail enviado na semana passada, o recrutador destacou um programa que pode oferecer algum nível de proteção contra deportação a familiares imediatos de militares.
A mensagem, com o assunto “Eu sei que está assustador lá fora”, mencionava diretamente detenções promovidas pelo ICE. “Todos vocês ouviram como o ICE está levando pessoas sem qualquer consideração. Se você nasceu aqui, tem 17 anos e está em uma situação em que seus pais talvez não tenham documentos, eles precisam da sua ajuda!”, dizia o texto.
O e-mail citava o programa Parole in Place (PIP), administrado pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS). O PIP não é garantido e oferece, caso a caso, proteção temporária contra deportação a pais, cônjuges e filhos de militares, em períodos de um ano. Em 2025, o tempo médio de análise foi de 4,5 meses.
O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões em Minneapolis, com protestos contra ações federais de imigração do governo Trump, especialmente após a morte de Renee Good, de 37 anos, neste mês. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que mais de 10 mil “imigrantes ilegais criminosos” foram presos na cidade, número que a CNN não conseguiu verificar de forma independente.
Segundo uma fonte, o e-mail foi enviado a cerca de 200 alunos de ao menos uma escola da região e causou confusão e preocupação imediatas. A Guarda Nacional de Minnesota reconheceu o envio da mensagem, mas afirmou que não houve orientação oficial para promover o PIP e que o processo depende do militar, muitas vezes com apoio jurídico.
Críticas apontam que a abordagem foi intimidatória e antiética, ao sugerir que os estudantes teriam a responsabilidade de proteger seus pais por meio do alistamento.
Fonte: CNN