Policiais de folga nas Twin Cities dizem ter sido "alvos" de agentes do ICE em abordagens sobre cidadania

Chefes de polícia afirmam que operação federal tem provocado violações de direitos civis e abalado a confiança entre forças de segurança e comunidades locais

Por Lara Barth

Imagem genérica algemas; polícia

Policiais que estavam fora de serviço na região das Twin Cities, em Minnesota, foram “alvos” de agentes federais que exigiam comprovação de cidadania americana, segundo denunciou nesta terça-feira o chefe de polícia de Brooklyn Park, Mark Bruley. As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa em que líderes de forças locais expressaram preocupação com possíveis violações de direitos civis ligadas à chamada Operação Metro Surge.

De acordo com Bruley, nas últimas duas semanas, moradores da região têm apresentado inúmeras queixas sobre abordagens federais, e vários policiais de seu departamento também teriam sido parados por agentes. “Todas essas pessoas são pessoas de cor”, afirmou.

O chefe relatou o caso de uma policial de folga que foi cercada por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) enquanto dirigia. Segundo ele, os agentes exigiram documentos, que ela não portava por ser cidadã americana. Ao tentar gravar a abordagem com o celular, o aparelho teria sido derrubado de sua mão. Apenas após se identificar como policial de Brooklyn Park os agentes teriam deixado o local.

Bruley destacou que o episódio não foi isolado e que outros chefes presentes relataram situações semelhantes envolvendo policiais de folga. As lideranças reforçaram que apoiam a aplicação da lei de imigração, mas criticaram táticas que, segundo eles, violam direitos civis e comprometem anos de construção de confiança com a população.

A xerife do condado de Hennepin, Dawanna Witt, afirmou que a confiança pública é essencial para a segurança e que ações questionáveis de alguns agentes federais estão minando esse vínculo. Ela, Bruley e o chefe de polícia de St. Paul, Axel Henry, pediram mais supervisão e responsabilização dos cerca de 3.000 agentes federais destacados para a região.

Questionado, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) disse não haver registros de agentes do ICE ou da Patrulha de Fronteira abordando policiais e afirmou que as alegações seguem sob análise.

Fonte: CBS