Menino de 5 anos detido pelo ICE tem processo migratório ativo e não pode ser deportado por enquanto
Registros oficiais indicam que criança e pai aguardam decisão da Justiça de imigração após operação em Minneapolis que gerou repercussão nacional
O menino imigrante de 5 anos detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ao lado do pai, na região de Minneapolis, tem um processo migratório ativo na Justiça e, por enquanto, não pode ser legalmente deportado, segundo registros do governo analisados pela CBS News.
A operação do ICE que levou à detenção de Liam Adrian Conejo Ramos e de seu pai, Adrian Alexander Conejo Ramos, foi registrada em vídeos e fotos que viralizaram nas redes sociais e levantaram questionamentos sobre os alvos da campanha de deportações em massa do governo Trump.
Documentos do Departamento de Justiça mostram que os processos do pai e do filho constam como “pendentes” na Corte de Imigração. Não há ordens de deportação emitidas, o que indica que um juiz ainda precisa analisar os pedidos antes de qualquer tentativa de remoção do país. O caso da família foi protocolado em 17 de dezembro de 2024.
A CBS News teve acesso às informações após obter os chamados “A numbers”, números de identificação emitidos pelo governo americano para acompanhar processos migratórios e de deportação.
Atualmente, Liam e o pai estão detidos no centro de detenção de Dilley, no Texas, unidade usada pelo ICE para manter famílias com crianças menores de idade. No sábado, famílias detidas no local realizaram um protesto pacífico, segundo advogados que representam crianças migrantes sob custódia federal.
A defesa afirma que a família é do Equador e entrou nos Estados Unidos em 2024 para solicitar asilo. Segundo os advogados, eles teriam ingressado legalmente por um ponto oficial da fronteira após obter autorização por meio do aplicativo CBP One, criado durante o governo Biden. O Departamento de Segurança Interna (DHS), no entanto, disse não ter registro do uso do sistema pela família.
Após assumir o cargo, o governo Trump encerrou o CBP One, transformando-o em um aplicativo de autodeportação chamado CBP Home, e retirou proteções legais concedidas a migrantes que entraram pelo programa, passando a prender alguns deles, inclusive durante audiências na Justiça de imigração.
A defesa afirma que o pai de Liam não possui antecedentes criminais. O DHS, por sua vez, o classificou como “imigrante ilegal” e o acusou de tentar fugir dos agentes, abandonando o filho durante a ação. Segundo a pasta, isso configuraria crime federal por evasão de prisão.
Embora pessoas com processos pendentes não possam ser deportadas, a legislação americana permite que elas sejam detidas enquanto aguardam a decisão judicial, caso estejam no país sem status migratório válido.
O escritório Prokosh Law LLC, que representa a família, disse que sua prioridade é garantir a segurança e o bem-estar de Liam e do pai e trabalhar pela liberação deles da detenção, sem fornecer mais detalhes sobre o caso.
Versões conflitantes sobre a prisão
Em entrevista coletiva, o chefe da divisão de deportações do ICE, Marcos Charles, afirmou que o alvo da operação era o pai, não a criança. Segundo ele, o homem tentou fugir a pé, deixando o filho dentro de um carro em pleno inverno. Charles disse que agentes cuidaram da criança, a levaram a um restaurante drive-thru e tentaram entregá-la a familiares, que teriam se recusado a abrir a porta.
Um pastor que conversou com a mãe da criança afirmou que ela estava apavorada e que vizinhos a orientaram a não sair de casa, alegando que agentes teriam tentado usar o menino para forçá-la a se entregar.
O ICE afirma que famílias detidas em centros como o de Dilley recebem atendimento de “alto nível”. Já defensores de direitos dos imigrantes contestam essa versão. Advogados relatam queda acentuada na saúde física e mental de crianças detidas e denunciam condições inseguras, atendimento médico precário e longos períodos de custódia, inclusive para bebês e crianças pequenas.
Fonte: CBS