Kristi Noem é pressionada pela Casa Branca após morte em Minneapolis, mas deve permanecer no cargo

Secretária de Segurança Interna é questionada sobre operação de imigração após tiroteio fatal, enquanto Casa Branca muda comando local e tenta conter desgaste político

Por Lara Barth

Kristi Noem, secretária do DHS

A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, passou a ser alvo de questionamentos internos na Casa Branca após o tiroteio que matou Alex Pretti em Minneapolis, segundo fontes ouvidas pela CBS News. Apesar do desgaste, a expectativa dentro do governo Trump é de que Noem não seja demitida.

De acordo com fontes próximas ao caso, Noem esteve na Casa Branca nesta segunda-feira (26), onde foi confrontada sobre a condução da operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) em Minneapolis e, sobretudo, sobre a resposta inicial ao episódio. A tendência, segundo essas fontes, é que a secretária redirecione seu foco, deixando em segundo plano as operações de imigração no interior do país para priorizar a segurança da fronteira sul e outras agendas estratégicas.

Noem e seu principal assessor, Corey Lewandowski, haviam promovido o agente da Patrulha de Fronteira Gregory Bovino e o encarregado de coordenar operações de imigração de grande visibilidade em cidades como Los Angeles, Chicago, Charlotte, Nova Orleans e, mais recentemente, Minneapolis. A mudança fez parte do esforço para intensificar a campanha de deportações em massa do presidente Donald Trump.

A decisão, no entanto, rompeu com a prática tradicional: operações de imigração dentro do território americano costumam ser lideradas pelo ICE, e não pela Patrulha de Fronteira. Bovino, que recebeu o título de “comandante” e passou a se reportar diretamente a Noem, provocou divisões internas no DHS. Enquanto alguns defendiam suas táticas agressivas, outros alertavam que elas estavam minando o apoio público à política migratória do governo.

Diante da crescente reação negativa após o segundo tiroteio fatal envolvendo agentes federais em Minneapolis neste mês, Bovino deixará em breve a operação no estado e retornará à fronteira com o México, reassumindo seu cargo como chefe do setor de El Centro, na Califórnia. Segundo um funcionário do governo, ameaças graves — incluindo ameaças de morte — contra Bovino em Minnesota pesaram na decisão.

Com a saída dele, o comando da operação em Minneapolis passou para Tom Homan, o “czar da fronteira” da Casa Branca, com quem Noem mantém uma relação considerada tensa por integrantes do governo. Fontes afirmam que Homan esteve na Ala Oeste nesta segunda-feira para definir a estratégia e depois seguiu para Minneapolis.

A Casa Branca aposta que Homan conseguirá dialogar com lideranças democratas locais, como o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. Em coletiva, a porta-voz Karoline Leavitt destacou que Homan foi elogiado pelo governo Obama em 2016, quando atuou como alto funcionário do DHS, e afirmou que ele tem “total confiança” do presidente Trump.

Noem e Bovino também vêm sendo fortemente criticados pela forma como reagiram à morte de Alex Pretti, baleado por agentes da Patrulha de Fronteira no sábado. Poucas horas após o tiroteio, Noem afirmou que Pretti teria se aproximado dos agentes armado e resistido de forma violenta. Bovino chegou a dizer que ele tentou “massacrar policiais”. Vídeos do episódio, porém, não mostram Pretti apontando uma arma, e uma das gravações sugere que um agente retirou a arma de sua cintura momentos antes do disparo fatal.

As declarações provocaram críticas até de republicanos no Congresso, que acusaram Noem de precipitação. Dentro do próprio DHS, autoridades relataram à CBS News que a comunicação oficial agravou a crise ao apresentar versões não sustentadas por evidências.

“Quando contradizemos o que o público vê claramente com os próprios olhos, perdemos credibilidade, e isso pode manchar nossa reputação por gerações”, disse um funcionário do DHS sob anonimato.

Em meio à controvérsia, dezenas de deputados democratas se juntaram como coautores de um projeto que pede o impeachment de Kristi Noem.

A morte de Pretti ocorreu durante uma operação de imigração de grande escala em Minneapolis, que, nos últimos dois meses, mobilizou cerca de 3.000 agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira e resultou na prisão de aproximadamente 3.400 pessoas. O episódio aconteceu semanas depois de outro caso fatal na cidade, em que Renee Good foi morta por um agente do ICE.

Uma pesquisa da CBS News divulgada duas semanas atrás mostrou que 61% dos americanos consideram que o ICE está sendo duro demais ao parar e deter pessoas — cinco pontos percentuais a mais do que em novembro. Já o apoio ao programa de deportações do governo Trump caiu para 46%, ante 51% no mês anterior.

Fonte: CBS