Trump sinaliza tática federal "mais relaxada" em Minnesota após tiroteios
Presidente diz que operações do ICE continuarão, mas com tom de desescalada; mortes recentes, críticas locais e pressão judicial marcam ofensiva federal no estado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que o governo federal pode adotar uma postura “mais relaxada” nas operações conduzidas por agentes federais em Minnesota, após dois tiroteios fatais ocorridos em Minneapolis nas últimas semanas. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à ABC News nesta terça-feira (27), mas Trump deixou claro que as ações não serão interrompidas.
Segundo o presidente, a mudança de tom ocorre com a nomeação do chamado “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para liderar a operação no estado. “Talvez possamos começar a agir de forma um pouco mais relaxada. Queremos terminar o trabalho e terminar bem, de forma desescalada”, afirmou Trump.
As mortes aconteceram durante a Operação Metro Surge, que levou milhares de agentes federais a Minneapolis com o objetivo de deter imigrantes em situação irregular. A ofensiva provocou forte reação de autoridades locais e protestos nacionais, além de ações judiciais contra o governo federal.
O governador de Minnesota, Tim Walz, criticou a operação e afirmou que segurança pública se constrói com confiança, não com intimidação. Um juiz federal determinou nesta semana que o governo Trump explique as motivações da atuação do ICE no estado, após pedido de autoridades estaduais para suspender temporariamente a operação.
Trump disse que conversas recentes com Walz foram “muito boas” e elogiou Homan, classificando-o como “forte, mas capaz de se dar bem com as pessoas”. Walz afirmou que pediu investigações imparciais sobre os tiroteios e a redução do número de agentes federais, algo que Trump teria concordado em analisar.
O presidente, no entanto, manteve o discurso de que a operação reduziu a criminalidade. “Já retiramos milhares de criminosos perigosos das ruas”, disse, afirmando que essa seria a vontade da população. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, rebateu, dizendo que a cidade não colaborará com “prisões inconstitucionais” nem com a aplicação direta da lei migratória federal.
Trump também sugeriu que operações semelhantes podem ocorrer em outras cidades, citando Memphis, Chicago, Louisiana e Washington, D.C., e voltou a associar criminalidade a cidades governadas por democratas — afirmação contestada por líderes locais.
O tema voltou a ganhar destaque após o ataque à deputada Ilhan Omar, crítica ferrenha de Trump, durante um evento público em Minneapolis. Questionado sobre o episódio, o presidente minimizou o caso e, sem apresentar provas, sugeriu que o ataque poderia ter sido encenado, declaração que gerou novas críticas.
Fonte: ABC