Família diz que ICE impediu pai de cidadão americano com deficiência de ir ao próprio funeral do filho

Wael Tarabishi morreu três meses após o cuidador, detido pela imigração, ser preso no Texas; agência alega ligação do pai com organização terrorista, o que a família nega

Por Lara Barth

Maher Tarabishi (dir.) e o filho, Wael

A família de Wael Tarabishi, de 30 anos, viveu um luto ainda mais doloroso ao enterrá-lo sem a presença do pai, Maher Tarabishi. Enquanto o funeral ocorria em Arlington, no Texas, Maher estava detido em um centro do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) a quase três horas de distância, na cidade de Anson.

Wael era cidadão americano e enfrentava uma longa batalha contra a Doença de Pompe em estágio avançado, condição genética rara que causa severa degeneração muscular. Totalmente dependente, ele tinha no pai seu principal cuidador. Familiares descrevem Maher como “os braços, as pernas e os pulmões” do filho, tamanho o envolvimento nos cuidados diários.

Maher, natural da Jordânia, permaneceu nos Estados Unidos após o vencimento de um visto de turista em 1994. Segundo a família e apoiadores, ele recebeu em 2008 uma Ordem de Supervisão que permitia sua permanência legal no país para cuidar do filho. No ano passado, ao comparecer ao escritório do ICE em Dallas para cumprir o check-in anual exigido pela ordem, encontrou a unidade temporariamente fechada. Quando retornou após a reabertura, foi algemado e detido, mesmo apresentando documentação médica que comprovava a condição de Wael, relatam familiares.

Maher foi preso em outubro de 2025. A família iniciou uma mobilização pública alegando que Wael não sobreviveria sem os cuidados do pai. Três meses depois, no dia 23 de janeiro, o jovem morreu.

Após a morte, parentes e apoiadores tentaram, sem sucesso, autorização do ICE para que Maher pudesse comparecer ao funeral. Na noite de terça-feira, a agência informou que o pedido havia sido negado.

Em nota enviada à ABC News, o ICE afirmou que Maher é “criminoso” e “membro assumido da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)”, classificada pelo governo americano como organização terrorista. A agência afirmou ainda que ele já havia recebido ordem de deportação por um juiz de imigração e pelo Conselho de Apelações de Imigração, mas teve o caso encerrado em 2011 durante o governo Obama, apesar de, segundo o órgão, ter admitido ligação com a organização.

A família nega categoricamente as acusações. Em entrevista à emissora, Shahd Arnaout, nora de Maher, disse que a defesa contestou formalmente qualquer vínculo com a OLP. O advogado da família, Ali Elhorr, afirmou em comunicado que havia tratativas com agentes do ICE para permitir uma liberação supervisionada de Maher para o enterro, mas que a decisão foi revertida por um superior.

Segundo Shahd, o último desejo de Wael era ver o pai antes de morrer. “Ele só queria se despedir”, afirmou. “Ele confiava no país e no sistema. Mas eles falharam.”

Familiares e apoiadores acusam o ICE de ter contribuído diretamente para a morte de Wael ao retirar dele o principal cuidador. A agência não comentou essa alegação.

Fonte: ABC