Menos de 14% dos detidos pelo ICE no primeiro ano do novo mandato de Trump tinham histórico de crimes violentos, aponta documento
Dados internos do DHS mostram que quase 40% dos presos não tinham qualquer ficha criminal e respondiam apenas por infrações migratórias civis
Menos de 14% dos quase 400 mil imigrantes presos pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no primeiro ano do segundo mandato do presidente Donald Trump tinham acusações ou condenações por crimes violentos, segundo um documento interno do Departamento de Segurança Interna (DHS) obtido pela CBS News.
As estatísticas, ainda não divulgadas oficialmente, oferecem o retrato mais detalhado até agora sobre quem tem sido alvo das operações de deportação em larga escala conduzidas pelo governo Trump em todo o país. Os números contrariam a narrativa recorrente da administração, que afirma que a repressão à imigração ilegal tem como foco prioritário “os piores dos piores”, como assassinos, estupradores e integrantes de gangues.
De acordo com o documento, o ICE realizou cerca de 393 mil prisões entre 21 de janeiro de 2025 e 31 de janeiro deste ano. Aproximadamente 60% dos detidos tinham algum tipo de acusação ou condenação criminal. No entanto, a maioria desses casos não envolvia crimes violentos.
Os dados indicam que menos de 2% dos presos tinham acusações ou condenações por homicídio ou agressão sexual. Outros 2% eram suspeitos de envolvimento com gangues. Somando todas as categorias de crimes violentos — como homicídio, roubo, agressão sexual, sequestro, incêndio criminoso e agressões físicas — o total chega a cerca de 13,9% das prisões.
Quase 40% de todos os detidos não tinham qualquer histórico criminal e eram acusados apenas de infrações civis relacionadas à imigração, como permanência ilegal no país ou permanência além do prazo autorizado. Esses casos, em geral, são julgados por juízes de imigração em processos civis, e não criminais.
O documento também detalha outros tipos de antecedentes entre os presos: 22,6 mil tinham registros ligados a drogas, 6,1 mil a crimes com armas, quase 30 mil por dirigir sob efeito de álcool e 5 mil por furto qualificado. Outros 118 mil tinham condenações classificadas como “outros crimes”, que podem incluir infrações migratórias, como entrada ilegal no país ou reentrada após deportação.
Apesar do aumento expressivo no número de prisões — mais que o triplo das detenções administrativas registradas no ano fiscal de 2024, durante o governo Biden — a proporção de detidos com histórico criminal caiu de 72% para cerca de 60%.
A divulgação dos números ocorre em meio ao aumento da oposição pública às operações do ICE. Uma pesquisa da CBS News mostrou que o apoio às deportações caiu de 59% no início do mandato para 46%. Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que os agentes estão sendo “duros demais”.
Fonte: CBS