Famílias processam governo dos EUA após ação migratória em hipódromo em Idaho

Ação coletiva alega uso excessivo de força durante operação policial que interrompeu evento familiar com corridas de cavalos

Por Lara Barth

A agência não possui acordo formal com a empresa

Um grupo de cidadãos americanos latinos e residentes permanentes legais entrou com uma ação judicial contra autoridades após uma operação policial realizada em outubro em um hipódromo em Idaho. A ação envolveu agentes federais, estaduais e locais e, segundo a denúncia, resultou na detenção de centenas de pessoas que participavam de um evento familiar.

De acordo com a queixa coletiva, cerca de 400 pessoas estavam reunidas no hipódromo La Catedral para assistir a corridas de cavalos, aproveitar barracas de comida e atividades para crianças quando aproximadamente 200 agentes chegaram ao local com caminhões blindados, armas em punho e granadas de efeito moral.

A denúncia afirma que os agentes, vestindo equipamentos táticos e cobrindo o rosto, gritavam ordens enquanto apontavam armas para famílias assustadas. Vidros de carros estacionados teriam sido quebrados, espalhando estilhaços sobre pessoas que estavam dentro dos veículos, incluindo crianças que haviam se abrigado da chuva. O processo também alega que pessoas que não ofereceram resistência foram jogadas no chão e que balas de borracha foram disparadas acima da cabeça de adolescentes.

Segundo o documento, a maioria dos adultos e vários adolescentes foram imobilizados com lacres plásticos. Agentes do ICE teriam interrogado os presentes sobre seu status migratório, e ninguém teria sido liberado antes de comprovar presença legal nos Estados Unidos.

Entre os autores da ação estão pais e filhos que são cidadãos americanos ou residentes permanentes legais. Eles afirmam que só foram soltos após conseguirem comprovar sua situação legal.

Uma das autoras do processo, a cidadã americana Juana Rodriguez, descreveu a experiência como um “pesadelo”, segundo comunicado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU).

“O que aconteceu transformou nosso passeio em um pesadelo. Meu filho pequeno foi forçado a presenciar uma quantidade enorme de violência contra pessoas que ele ama e a ouvir ofensas raciais contra latinos, experiências às quais nenhuma criança deveria ser exposta”, afirmou Rodriguez no comunicado. “Nunca vou esquecer a voz dele pedindo comida e água por horas. Como mãe, nada é mais doloroso do que ouvir seu filho chorar de medo e ser impedida de confortá-lo.”

Ela acrescentou que decidiu participar do processo porque acredita que o que aconteceu foi errado e que nenhuma família deveria passar por situação semelhante.

Após a divulgação do caso, a Fox News Digital informou ter procurado o Departamento de Segurança Interna (DHS), o ICE, o Departamento de Justiça e o FBI para comentar o episódio.

Em comunicado divulgado em 19 de outubro, o FBI de Salt Lake City afirmou que relatos de que crianças teriam sido amarradas com lacres ou atingidas por balas de borracha durante a operação são “completamente falsos”.

Segundo o FBI, a ação cumpria um mandado federal de busca relacionado a uma suposta operação ilegal de jogos de azar na cidade de Wilder, em Idaho, e envolveu cerca de 200 agentes de diferentes esferas de segurança pública.

Fonte: Fox