Especialista em TI contratado para serviço na Patrulha de Fronteira acaba preso na Flórida
Imigrante venezuelano passou 30 dias em centro de detenção conhecido como "Alligator Alcatraz", apesar de ter autorização de trabalho e ficha limpa
O engenheiro de sistemas Angel Camacho, venezuelano de 43 anos, afirma que esperava apenas cumprir mais um contrato de trabalho quando foi chamado para realizar uma vistoria técnica na estação da Patrulha de Fronteira dos EUA em Dania Beach, no sul da Flórida. Em vez disso, acabou preso e passou 30 dias em um centro de detenção imigratória.
Segundo Camacho, sua empresa enviou previamente sua carteira de motorista para verificação de segurança e recebeu confirmação por e-mail, em 5 de janeiro, de que ele estava “aprovado” para entrar na unidade. No dia seguinte, ao se apresentar para o serviço de avaliação de um novo sistema de interfone, foi informado pelos agentes de que seria detido.
“Eu disse ‘bom dia, sou Angel’, e eles responderam: ‘Sim, estamos esperando por você’. Depois disseram que precisavam me deter. Achei que era brincadeira”, relatou em entrevista à NBC6 Investigates.
Camacho é solicitante de asilo, chegou aos Estados Unidos em 2016 com visto de turista e posteriormente obteve o Status de Proteção Temporária (TPS). Ele também solicitou residência permanente por ser casado com uma cidadã americana, com quem tem filhos nascidos no país. Ele afirma ter autorização de trabalho, número de Seguro Social, carteira de motorista e pagar impostos regularmente.
Apesar disso, por não ter ainda residência permanente ou cidadania, foi detido em meio às políticas mais rígidas de imigração. Após passar uma noite sob custódia da Patrulha de Fronteira, foi transferido para o centro de detenção nos Everglades, apelidado de “Alligator Alcatraz”.
“Foi o pior pesadelo da minha vida”, disse. Segundo dados do ICE analisados pela NBC, apenas uma em cada quatro pessoas detidas no local possui condenação criminal, e cerca de 7% têm histórico de crimes violentos.
O aumento no número de detenções — atualmente cerca de 70 mil pessoas sob custódia do ICE — levou advogados de imigração a ingressarem com centenas de pedidos de habeas corpus na Justiça federal, questionando a legalidade das prisões sem audiência de fiança. Apenas na Flórida, o número de ações desse tipo saltou de cerca de cinco por mês no ano passado para quase 400 no último mês.
Camacho conseguiu audiência por ter entrado legalmente no país com visto. Ele pagou fiança de US$ 5 mil e foi liberado com tornozeleira eletrônica após 30 dias detido.
“Sou uma ameaça para a América? Claro que não. Sempre fiz tudo certo desde que cheguei aqui”, afirmou. Ele acredita que foi preso “porque era fácil”. Até o momento, a Patrulha de Fronteira não comentou oficialmente o caso.
Fonte: NBC