Estudante deportada afirma que ICE a induziu a erro sobre possível liberdade nos EUA
Juiz determinou que governo facilite retorno de jovem hondurenha, mas autoridades dizem que ela poderá ser detida novamente
Uma estudante universitária de 19 anos deportada durante o feriado de Ação de Graças, apesar de uma ordem judicial que barrava sua remoção, afirma ter sido induzida a acreditar que poderia permanecer em liberdade caso retornasse aos Estados Unidos. O caso envolve Any Lucia Lopez Belloza, cuja volta ao país foi determinada por um juiz federal no início deste mês.
Lopez Belloza foi detida por autoridades de imigração no aeroporto de Boston durante o recesso de novembro. Segundo os agentes, havia contra ela uma ordem final de deportação — informação que, de acordo com seu advogado, ela desconhecia. Poucas horas após a prisão, um juiz federal ordenou que o governo não a removesse do país. Ainda assim, a jovem foi enviada para Honduras.
Em nova manifestação apresentada à Justiça de Massachusetts nesta semana, o governo afirmou que, mesmo que Lopez Belloza retorne aos Estados Unidos ao “status quo” anterior, ela continuará sujeita à ordem final de remoção e poderá ser novamente detida e deportada pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
A posição oficial contrasta com mensagens de texto obtidas pela ABC News e atribuídas a um agente da divisão de Operações de Fiscalização e Remoção (ERO). Nas conversas, o agente organiza um voo de Honduras para Harlingen, no Texas, em cumprimento à decisão judicial. Ao perguntar se poderia ficar em liberdade após a chegada, Lopez Belloza recebeu como resposta: “Muito provavelmente, sim, Any”.
Em entrevista, o advogado da estudante, Todd Pomerleau, classificou a oferta do voo como uma “armadilha” para que ela seja novamente detida e deportada. “Ela nunca teve seu dia no tribunal”, afirmou. Segundo ele, Lopez Belloza deveria ser autorizada a permanecer no país, já que possui um pedido de green card em andamento.
A estudante relatou que chegou a sentir esperança ao saber do possível retorno, mas se disse chocada ao ler o documento do governo indicando que poderia ser presa novamente. “É a minha liberdade que está sendo distorcida”, declarou.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Lopez Belloza não compareceu ao voo previamente organizado e que, por questões de segurança operacional, o ICE não divulga detalhes sobre futuras ações. O órgão também negou ter descumprido a ordem judicial, sustentando que a decisão que suspendia a remoção foi emitida após a deportação já ter ocorrido e que a estudante teve “pleno devido processo legal”, incluindo uma ordem final assinada por um juiz.
O caso agora segue sob análise judicial, enquanto se discute se o governo cumpriu adequadamente a determinação de facilitar o retorno da jovem aos Estados Unidos.
Fonte: ABC
